A idéia desse Blog é trocar experiências e discutir sobre as questões raciais e de gênero e tantos os tipos de discriminações existente nessa sociedade de opressores e oprimidos.
sábado, 25 de outubro de 2014
CONFISSÕES DE UMA MULHER EM CRISE (Texto de Pamela Sobrinho para as Blogueiras Feministas)
Acredito que muitas pessoas passem por crises existenciais em alguns momentos da vida. No geral, minha sensação é de que entro em crises quase que diariamente por ser mulher. Como não surtar quando somos cobradas diariamente para sermos Super-Mulheres? Não no bom sentido da palavra. Porque somos cobradas para sermos seres imortais, fortes e que nunca fraquejam, modeladas por uma sociedade e uma cultura de muitos anos. Quem inventou essa ideia de que a mulher veio depois do homem? Quem disse que por trás de todo homem tem uma mulher? Pergunto-me diariamente como ideias tão antigas perduram até hoje.Lendo revistas femininas, havia um artigo com o seguinte titulo: “47 dicas para você ser uma mulher poderosa”. Sobre o que tratará esse artigo? Será sobre emprego? Será sobre como nós mulheres somos poderosas quando conciliamos casa, família, emprego e lazer? Não, não era nada disso, era mais um artigo machista e patriarcal que tenta ditar como nós mulheres devemos ser. Para ser ter uma ideia, a dica 4 é: “Encontre um cara que você queira fazer feliz todos os dias, para o resto da sua vida, e case-se com ele”. E se você não quiser se casar? Você vai deixar de ser poderosa? A dica 15 diz: “Você nunca perderá nada por ser discreta. E, se perder, ninguém vai ficar sabendo mesmo”. Isso é sério? Essas dicas me levarão onde?
Infelizmente, muitas mulheres seguem a risca essas “dicas”. Não que elas estejam erradas, mas nós, mulheres, crescemos acreditando que não somos poderosas se não estivermos nos moldes que a sociedade prega. Se você é branca, cis, loira ou morena, com cabelo liso e magra, talvez sofra menos as pressões sociais, mas essa não é a realidade de todas as mulheres. Se você for negra, por exemplo, ou é vista como uma Globeleza ou é ignorada pela sociedade. Se você é gorda, sofre outros tipos de exclusão. Se é uma trans*, o desrespeito é tão absurdo que nem como mulher você é considerada.
Alicia Keys, na música “Superwoman”, diz a seguinte frase: “Eu me levanto e continuo procurando, pelo melhor pedaço de mim, de cabeça baixa por esse peso, escrava da humanidade, eu levo isso em meus ombros, tenho que encontrar a minha força interior”.
Sim, somos escravas da sociedade. Sendo escravas, somos levadas diariamente a abandonar nossas ideias, deixar nossas vontades de lado para seguirmos um molde ao qual nos encaixamos e sofremos por causa disso. Quantas de nós não surtaram um dia porque não estavam num padrão aceitável? Queremos ser aceitas, mas será que vale morrer por isso?
Até quando seremos vitimas de um padrão que não existe? Até quando existirão padrões para determinar quem é a mulher real e quem não é?
Na mesma música, Alicia Keys também diz: “Por todas as mães que lutam, por dias melhores que virão, por todas as mulheres sentadas aqui agora, que tem que voltar para casa antes do sol se por, para todas as minhas irmãs, cantando juntas, Dizendo: Sim eu vou, Sim eu posso”. Também respondo sim. Nós vamos levantar todos os dias e lutar por um mundo onde não sejamos mais escravas, mas sim donas de nosso próprio destino.
Autora
Pamela Sobrinho é economista no Sistema S, editora na revista Betim Cultural, blogueira, mulher, feminista, sem denominações religiosas, mas amante do respeito e da igualdade. Escreve no blog: O que há por trás da Economia. Twitter: @pamsobrinho.
Fonte: Blogueiras Feministas
sábado, 21 de junho de 2014
Documentário Sobre Estética e Cabelos Afros: Espelho, Espelho Meu!
Através de depoimentos, o documentário "Espelho, espelho meu", produzido por Elton Martins, aborda apresentações afro-estéticas no período juvenil. Mães, crianças e adolescentes: todos falam um pouco de suas experiencia com os seus cabelos e sobre suas escolhas pessoais. Além disso, o vídeo conta com a participação do historiador Antonio Cosme que norteia o tema ao destrinchar o processo de construção de identidade.
O historiador fala, também, que a realidade é quase o oposto do que deveria ser. Ele explica as expressões identitárias atuais e as define como consequência da alteridade, da relação étnica-racial brasileira. Depoimentos de adultos (homens e mulheres), adolescentes e crianças são usados no documentário como confirmações do que fala o historiador.
O vídeo tem logo na introdução uma mulher negra se produzindo em frente ao espelho, com música de fundo. Em seguida, Antônio Cosme abre o documentário com o primeiro depoimento. A fotografia faz jus a temática: apresenta pessoas que usam cabelo no estilo black power ou com trança enfeitadas, por exemplo, em contraponto a cultura reinante do cabelo liso. Música também são inclusas: algumas instrumentais e outras cujas letras coincidem com o assunto do documentário.
O historiador fala, também, que a realidade é quase o oposto do que deveria ser. Ele explica as expressões identitárias atuais e as define como consequência da alteridade, da relação étnica-racial brasileira. Depoimentos de adultos (homens e mulheres), adolescentes e crianças são usados no documentário como confirmações do que fala o historiador.
O vídeo tem logo na introdução uma mulher negra se produzindo em frente ao espelho, com música de fundo. Em seguida, Antônio Cosme abre o documentário com o primeiro depoimento. A fotografia faz jus a temática: apresenta pessoas que usam cabelo no estilo black power ou com trança enfeitadas, por exemplo, em contraponto a cultura reinante do cabelo liso. Música também são inclusas: algumas instrumentais e outras cujas letras coincidem com o assunto do documentário.
terça-feira, 18 de março de 2014
IMPORTANTE
Olá Meninas, Mulheres da Pele Preta!
(e Meninos, Homens da Pele Preta Também rs)
(e Meninos, Homens da Pele Preta Também rs)
Hoje venho aqui para dizer o quanto fico feliz ao perceber que aos poucos este Blog vem conseguindo alcançar seus propósitos, tornando-se um espaço de troca de experiência, informação e divulgação. É muito bom saber que este espaço tem servido de suporte para pesquisas e divulgações de projetos... Esse é o intuito desse blog. Por isso gostaria de dizer a todos que fiquem a vontade para encaminhar seus textos, poemas, projetos, ações ou qualquer outra coisa que venha contribuir para a construção da nossa identidade preta.
Pensando nisso, fico muito feliz em divulgar o Projeto de Pesquisa da Maria Rosa e o processo de audições para compor o grupo Battys Girls.
Dêem uma lida nas postagens a baixo para maiores informações.
Bjs
Preta.
MULHERES PRETAS, BORA AJUDAR A MARIA ROSA NO SEU PROJETO DE PESQUISA !!!
Pessoal, peço a ajuda de todos para responderem o minha pesquisa de publico alvo para meu trabalho de conclusão de curso descrito abaixo, são apenas 10 questões de marcar, é rapidinho.
Este projeto tem como tema a fotografia no Brasil e terá como recorte temático a Vida e Experiência de Um Feminino Negro.
Esse recorte servirá para o desenvolvimento da linguagem estética para a produção de um editorial de fotografia experimental, que terá como referencial estético o trabalho mesclado e conceitual do fotografo mineiro Eustáquio Neves. E ainda para o conteúdo textual, será narrado o depoimento real feito por uma mulher negra de nome Lila, relatado no livro “Mulher Negra, Homem Branco” da autora Gislene Aparecida dos Santos.
Este editorial tem a intenção de traduzir os sentimentos da personagem Lila, uma mulher que busca respostas em relação a sua convivência com o racismo e o por que da existência dessa exclusão social e o motivo ao qual leva os próprios negros descriminarem sua raça.
O editorial tem como objetivo mostrar como a fotografia pode ser utilizada de maneira artística e moderna, além de mostrar para as pessoas como o afastamento social pode prejudicar uma vida, como ideais podem ser interrompidos, o preconceito e a automutilação de uma mente perdida no meio de tantas perguntas que se foram sem respostas.
muito obrigada!
Maria Rosa Pereira
sábado, 8 de março de 2014
domingo, 5 de janeiro de 2014
Valente – Sobre estereótipos de gênero e violência - por Maria Rita
Durante um (longo) período da minha vida eu vivi buscando atender expectativas sociais que eu acreditava serem as minhas metas de vida. Eu estudaria, trabalharia, me casaria, teria filhos, e netos e envelheceria ao lado do meu grande amor. Isto é que eu ouvia dizer sobre. Nunca gostei muito desta ideia, de ter algumas partes deste “sucesso” condicionadas a outras, nunca via muita lógica para a necessidade de ter um marido para ter um filho, mas ok se o “certo” era comprar o combo, eu seguiria por este caminho.
No meio da minha estrada eu me apaixonei por inúmeras pessoas, me apaixonava todos os dias, às vezes pela mesma pessoa, às vezes por pessoas diferentes, às vezes por mais de uma ao mesmo tempo, me apaixonava por sorrisos, por ideias, por cheiros, por toques, mas acima de todas as coisas me apaixonava por quem me fazia rir.
Tive relacionamentos com gente bacana, vivi um poliamor que não deu certo, provavelmente por desconhecermos o que era o poliamor (e se vocês , pessoas que eu amei demais estiverem lendo isto saibam que foi foda e especial apesar de tudo) , passei pelas mãos de gente violenta, dessas que agridem na base da porrada mesmo, que ameaçam, que estupram. E desde o cara bacana até na relação violenta eu acreditei veementemente de que as coisas aconteciam da maneira como tinham que acontecer e que se alguma coisa deu errado, se o relacionamento nadou em lama e terminou, se eu apanhei, se as pessoas gritaram comigo, era porque obviamente a culpa era minha, eu era uma “pessoa difícil”. Ou eu havia irritado estas pessoas, ou eu era cansativa, feia demais, gorda demais, negra demais, ou eu havia provocado e na minha mente a vida era assim com todo mundo, ou com toda mulher. Na minha ideia de amor, para que tudo desse certo bastava descobrir tudo que o objeto do meu desejo gostava ou sonhava e fazer o possível para atender estas expectativas daquele ser. E estava tudo bem porque embora esta mensagem não tenha sido passada diretamente de dentro da minha casa, isto era o que eu lia nos livros preferidos, o que eu via na Tv, via nos filmes, nas músicas mais tocadas no rádio.
Eis que um dia eu decidi ficar pra valer com alguém, finalmente um relacionamento sem gritos, sem abusos, sem estresse, e onde eu sorria absolutamente todos os dias da minha vida. Pensei agora sim, é aqui que eu quero ficar, eu estava apaixonada e feliz, mas como a vida não tem relação nenhuma com a parte feliz dos contos de fada, tanto eu quanto ele, fomos arrastados para armadilha dos estereótipos de gênero.
“Mulheres são delicadas”
“Mulheres são o sexo frágil”
“Um homem deve ser o provedor do lar e da família”
“Homens são fortes”
“Homens não choram”
No meu novo lar trabalhar era inconcebível, afinal na casa existia um provedor. Estudar para que? Onde eu achava que usaria o meu diploma? O que eu fazia o dia todo em casa e ainda atrasava a janta? Este era o mote das nossas conversas, claro que não era só isso, mas esta era a base daquele relacionamento e eu achava tudo àquilo absolutamente NORMAL. Era aquilo que se esperava dele, e eu precisava atingir aquilo que se esperava de mim. Eu estava ali para servir e obedecer, e havia sido tratada desta forma a vida inteira sem me atentar para a questão, sem associar meu comportamento a tudo o que haviam me ensinado na escola sobre o que era uma família, sobre qual era o lugar do negro, o lugar da mulher. E então veio o filho, veio a cobrança para que nascesse junto com o bebê uma mãe sabe tudo e que tinha que dar conta de tudo e com excelência, afinal mulheres nasceram para isso. E nesta vibe criamos um abismo entre nós, nos ferimos, nos cansamos, mas tecnicamente atingimos todos os objetivos do jogo hétero-cis-normativo. Por fim a relação acabou com uma única frase que resumia tudo o que eu tinha vivido até aquele ponto na minha vida - “Aqui dentro da minha casa você não tem direito a nada”. Com a minha falta de direitos externada ficou claro pra mim que aquilo tudo que havia sido construído não eram nem de longe as minhas metas de vida
Quanto daquilo que vivemos é fruto daquilo que a sociedade nos impõe como o certo? Penso no que me impediu por 27 anos de me rebelar contra o sistema e descobri as coisas que possivelmente eram as minhas aspirações reais. Quantas coisas os meus parceiros fizeram porque “é assim que é”, quanto foi feito “em nome da honra”, para marcar território, para impor respeito.
E o tempo passou eu tive outras tantas relações e percebi que ainda incorria nos mesmos clichês, eu os enxergava agora, mas como mudar? E se eu mudasse como fazer o outro mudar?
Descobri que estereótipos de gênero se aplicam a todos os tipos de relações, até mesmo nas relações lésbicas, da qual posso falar com propriedade, grande parte destas relações ainda é a reprodução de uma ideia e um ideal hétero-cis-normativo que ainda inclui conceitos como a “masculina” e a “feminina” e pauta sua convivência naquilo que uma pode e a outra não, em quem regrará sua roupa, em quem lava a louça, em quem abre potes e troca pneus, quem é ativa e quem é passiva, quem pode e quem não pode chorar.
Sexismo é um termo que se refere ao conjunto de ações e ideias que privilegiam determinado gênero ou orientação sexual em detrimento de outro gênero (ou orientação sexual). Embora seja constantemente usado como sinônimo de machismo é na verdade um hiperônimo(algo que designa uma classe toda, agrupando várias sub-classes) deste, já que é possível identificar diversas posturas e ideias sexistas (muitas delas bastante disseminadas) que privilegiam um gênero em detrimento a outro. De maneira geral, o termo é usado como exclusão ou rebaixamento do gênero feminino.
Sexismo internalizado é definido como a crença involuntária por meninas e mulheres de que as mentiras, estereótipos e mitos, repetidos a exaustão em uma sociedade machista, são verdadeiras. Meninas e mulheres, meninos e homens vêem às mensagens sexistas (mentiras e estereótipos) sobre as mulheres em toda a sua vida útil. Eles ouvem que as mulheres são estúpidas, fracas, passivas, manipuladoras, sem capacidade para atividades intelectuais ou de liderança. Em contrapartida cabe ao homem ser forte, ativo, racional, líder.
Há duas conseqüências lógicas e previsíveis de uma vida inteira de tais mensagens. Primeiro, meninos / homens vão crescer a acreditando em muitas destas mensagens, e tratarão as mulheres de acordo. Eles serão completamente doutrinados para o seu papel no sexismo, protegendo seu privilégio masculino por conspirar com a perpetuação do sexismo.
Mas há uma segunda consequência lógica – as mesmas mensagens também ficarão com as meninas e as mulheres, resultando neste sexismo internalizado. Mulheres e meninas são ensinadas a agir conforme estas mentiras e estereótipos, duvidando de si mesmas e permitindo que este sistema sexista se perpetue.
Para que o sistema sexista seja mantido e passado para a próxima geração, todos nós devemos acreditar nas mensagens (mentiras e estereótipos) em algum grau, e conspirar com sexismo através da realização de nossos papéis atribuídos. Para quebrar com esta base sistemática precisamos nos livrar destes estereótipos de gênero, impedir que os mesmos sejam reproduzidos e garantir assim que o suposto direito adquirido a violência e a opressão seja parcialmente anulado.
Neste final de semana a ONU lançou nos estádios de futebol a iniciativa “O Valente não é Violento”, que faz parte da campanha do Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, UNA-SE Pelo Fim da Violência Contra as Mulheres, é coordenada pela ONU Mulheres e conta com o apoio da Secretaria de Políticas para as Mulheres, da Presidência da República. Para marcar o lançamento da iniciativa, seis times de futebol entraram em campo, nos jogos da última rodada do Campeonato Brasileiro, levando faixas com os dizeres: O Valente Não É Violento Com As Mulheres. Entre eles, Vasco e Atlético Paranaense.
Não preciso nem dizer que a mensagem não foi assimilada por completo por quem estava nas arquibancadas de Vasco X Atlético Paranaense. Por uma hora e meia homens se digladiaram brutalmente para defender sua honra, seu ponto de vista.
O objetivo desta iniciativa é estimular a mudança de atitudes e comportamentos machistas, enfatizando a responsabilidade que os homens devem assumir na eliminação da violência contra as mulheres e meninas, e deste modo possibilitar a juventude da América Latina e do Caribe uma vida livre da violência de gênero.
imagens da campanha "O Valente não é Violento"
Violência e opressão nada tem a ver com masculinidade, virilidade, valentia ou coragem. Ainda é preciso avançar muito neste aspecto.
Dividir as responsabilidades num lar não te torna mais fraco, intimidar uma mulher não fará com que ela o ame, bater nos seus filhos não fará com que eles o respeitem e violência psicológica fere tanto quanto um soco ou as vezes um tiro.
Que esta campanha atinja mais homens, que nossos meninos possam crescer com outros conceitos e que mais mulheres consigam brigar contra os estereótipos que trazemos sobre nossos ombros.
Hoje é 10 de dezembro de 2013, Dia Internacional dos Direitos Humanos e último dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres convocada pela ONU. Eu ainda estou no caminho , ainda vou amar muito, me apaixonar inúmeras outras vezes. Abraçada por outras mulheres em luta descobri que lugar de mulher é onde ela quiser. Aprendi recentemente que é preciso amar sem posse, aprendi (não tão recentemente) que eu sei e que eu posso trocar pneu, abrir pote, dormir com quem e quantos eu desejar, beber até cair, reformar uma casa e colocar azulejo, criar meu filho muito bem, estar sozinha, aprendi a responder na mesma altura, aprendi a me defender, aprendi que violência também se disfarça de outros nomes e precisa ser denunciada e combatida sempre e que nenhum estereótipo pode me deter pois já não sou mais regrada por eles.
* Este post faz parte da blogagem coletiva convocada pela ONU Mulheres para marcar o Dia Internacional dos Direitos Humanos e o último dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres.
domingo, 22 de dezembro de 2013
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
OUTUBRO ROSA PARA TODAS, ACESSO DESIGUAL ENTRE MULHERES NEGRAS E BRANCAS AOS EXAMES DE MAMA.
Outubro Rosa, mês de mobilização pelo acesso das mulheres aos exames de mama, que estão incluídos o clinico das mamas e a mamografia, no entanto a realização destas exames é precário para todas as mulheres no Pais, sendo que as mulheres negras do norte- nordeste são as que mais sofrem com essa impacto.
De acordo com o IBGE a Pesquisa Nacional de Amostra por Domicilio - Suplemento saúde (2008) apresentou esse quadro de desigualdades. Podemos observar nas figuras abaixo como o processo das desigualdades raciais no acesso aos serviços de saúde permanece em todas as regiões do País. As figuras revelam as mulheres que nunca realizaram o exame clinico das mamas e a mamografia. E são as mulheres pretas e pardas do norte e nordeste que tem o maior percentual das que nunca realizaram tanto o clínico, quanto a mamografia.
A alta taxa de mortalidade de mulheres por câncer da mama constitui-se em problema de saúde pública, exigindo do Estado medidas efetivas de redução dessas mortes. Nesse sentido, , em 2004, o Ministério da Saúde definiu, dentre outras estratégias, a utilização do exame clínico das mamas e da mamografia, como meios de controle do câncer das mamas.
A adoção dessas duas medidas foi pactuada entre Instituto Nacional de Câncer e a Área Técnica da Saúde da Mulher, Sociedade Brasileira de Mastologia, além de contar com a participação de pessoal de diferentes áreas do Ministério - gestores, pesquisadores e pesquisadoras e representantes de Sociedades Científicas afins e de entidades de defesa dos direitos da mulher (Brasil, 2004).
Só para recordamos, o exame clínico das mamas deve ser realizado, obrigatoriamente, todos os anos em mulheres de 40 a 49 anos, no entanto, ao realizar o exame físico, os/as profissionais de saúde, especificamente médico/a e enfermeira/o devem fazer como o cuidado integral a mulher. Já as mulheres pertencentes a grupos populacionais com risco elevado de desenvolver câncer de mama devem fazer exame clínico e mamografia anual a partir dos 35 anos. Para rastreamento, a recomendação é a realização de mamografia na faixa de 50 a 69 anos, com intervalo de até dois anos.
Referencias:
BRASIL, Ministério da Saúde. Controle do câncer de mama: documento de consenso. Brasília, 2004.
_____. Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher: Princípios e diretrizes. Brasília, 2004.
*Blogueira, faz parte do Odara - Instituto da Mulher Negra, Mestra em Enfermagem/UFBA
Fonte: População Negra e Saúde E http://www.geledes.org.br/
domingo, 6 de outubro de 2013
sábado, 10 de agosto de 2013
Não Nasci Pra Ser Bonita: A Autoestima Da Mulher Negra
Thaís Vieira
“Como você sai de casa desse jeito, com esse cabelo, com essas tranças malfeitas, não passa um batom, não usa brincos? As meninas da sua idade não são assim, elas se vestem bem, são melhores. Como quer conseguir um namorado desse jeito?”
Depois de escutar tudo isso eu não consegui falar mais nada, minha mãe concordava com tudo o que o médico dizia, o que me deixou mais triste. Quando cheguei em casa, eu chorei. No dia que estava me sentindo bonita, aquele médico tinha me arrasado com todas aquelas palavras.
Além de ele cagar regras na minha aparência, estava me comparando com as meninas da minha idade, da escola, mas essas meninas não usavam tranças, não tinham cabelo crespo, essas meninas não eram NEGRAS. Desde criança minha beleza sempre foi comparada a de uma menina branca. Na listinha das meninas mais bonitas da sala meu nome nem estava lá. Quando as tias da escolinha penteavam meu cabelo, eu só escutava comentários como “cabelo duro”, “cabelo ruim”. Nas brincadeirinhas sempre alguém me apelidava de MACACA ou chamava meu pai de ORANGOTANGO.
E assim fui crescendo sem autoestima nenhuma. Quantas vezes minha mãe alisava o meu cabelo para ver se as coisas melhoravam? Quantas vezes me achei a menina mais feia? E quantas vezes chorava por não ser o padrão de menina bonita que os meninos tanto desejavam, que por coincidência era branca e tinha cabelos lisos?
Agora com 16 anos percebo que aquele médico racista após me dizer tudo aquilo não entende nada de autoestima. Diante de todas as dificuldades que nós mulheres negras temos que enfrentar, nos aceitar como somos, gostar de nós mesmas é uma questão importante, isso sim é autoestima.Tenho orgulho de ser negra, ter “cabelo duro” e andar do jeito que eu quiser.
Agora com 16 anos percebo que aquele médico racista após me dizer tudo aquilo não entende nada de autoestima. Diante de todas as dificuldades que nós mulheres negras temos que enfrentar, nos aceitar como somos, gostar de nós mesmas é uma questão importante, isso sim é autoestima.Tenho orgulho de ser negra, ter “cabelo duro” e andar do jeito que eu quiser.
E mulheres negras: não deixem que o racismo e o machismo nos abale, somos lindas, somos negras. E
devemos nos orgulhar disso.
devemos nos orgulhar disso.
Fonte: Blogueiras Negras
domingo, 21 de julho de 2013
UMA EM CADA TRÊS MULHERES JÁ SOFREU VIOLÊNCIA DOMÉSTICA NO MUNDO. DESCUBRA OS PIORES LUGARES
Mais de um terço de todas as mulheres do mundo é vítima de violência física ou sexual, o que representa um problema de saúde global com proporções epidêmicas, disse um relatório da OMS (Organização Mundial da Saúde) nesta quinta-feira (20).
A grande maioria das mulheres sofrem agressões e abusos de seus maridos ou namorados, e sofrem problemas de saúde comuns que incluem ossos quebrados, contusões, complicações na gravidez, depressão e outras doenças mentais, diz o relatório.
A pesquisa, uma coautoria de Watts e Claudia Garcia-Moreno, da OMS, concluiu ainda que 38% de todas as mulheres vítimas de homicídio foram assassinadas por seus parceiros, e 42% das mulheres que foram vítimas de violência física ou sexual por parte de um parceiro carregam lesões como consequência.
Saiba mais a seguir.
O estudo apresenta dados separados por região. No sudeste da Ásia, por exemplo, 37,7% dos ataques são cometidos pelos próprios parceiros. Isso acontece em países como Bangladesh, Timor-Leste, Índia, Mianmar, Sri Lanka e Tailândia.
Quando se discutem ataques cometidos por homens sem nenhuma relação íntima com suas vítimas, esse número sobe para 40%.
No Egito, Irã, Iraque, Jordânia e Palestina, 37% das mulheres sofrem algum tipo de violência por parte de seus parceiros.
Em países da África, o número é um pouco mais baixo, mas ainda assim alarmante: 36% das vítimas são atacadas pelos parceiros no Congo, Uganda, Namíbia, Botsuana, Camarões, Etiópia, Quênia, Lesoto, Libéria, Malawi, Moçambique, Ruanda, África do Sul, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbábue.
No caso de agressões cometidas por alguém sem nenhuma relação com a vítima, o número cresce para 45,6.
Analisando os casos cometidos por homens sem nenhuma relação íntima com a vítima e aqueles cometidos pelos parceiros contra mulheres acima de 15 anos, também chegamos a números assustadores.
Na Europa e no Pacífico Ocidental, os números caem ligeiramente, com 27% e 28%, respectivamente. Os dados incluem países como França, Finlândia, Grécia, Rússia, Austrália, China, Filipinas e Nova Zelândia.
Mesmo países desenvolvidos e considerados ricos aparecem na pesquisa, totalizando um total de 32,7% de casos.
Em um comunicado que acompanha o relatório, a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, disse que a violência causa problemas de saúde com "proporções epidêmicas".
— Os sistemas de saúde do mundo podem e devem fazer mais pelas mulheres que sofrem violência.
A grande maioria das mulheres sofrem agressões e abusos de seus maridos ou namorados, e sofrem problemas de saúde comuns que incluem ossos quebrados, contusões, complicações na gravidez, depressão e outras doenças mentais, diz o relatório.
A pesquisa, uma coautoria de Watts e Claudia Garcia-Moreno, da OMS, concluiu ainda que 38% de todas as mulheres vítimas de homicídio foram assassinadas por seus parceiros, e 42% das mulheres que foram vítimas de violência física ou sexual por parte de um parceiro carregam lesões como consequência.
Saiba mais a seguir.
O relatório constatou que a violência contra as mulheres é uma das causas para uma variedade de problemas de saúde agudos e crônicos, que vão desde lesões imediatas, infecções sexualmente transmissíveis, como HIV, à depressão e transtornos de saúde mental.
A OMS está emitindo orientações para os profissionais de saúde sobre como ajudar as mulheres que sofrem violência doméstica ou sexual. A organização salienta a importância em treinar os profissionais de saúde para reconhecer quando as mulheres podem estar em risco de ser agredida pelo parceiro e saber como agir.
Descubra quais os países onde esse tipo de agressão é mais comum.A OMS está emitindo orientações para os profissionais de saúde sobre como ajudar as mulheres que sofrem violência doméstica ou sexual. A organização salienta a importância em treinar os profissionais de saúde para reconhecer quando as mulheres podem estar em risco de ser agredida pelo parceiro e saber como agir.
O estudo apresenta dados separados por região. No sudeste da Ásia, por exemplo, 37,7% dos ataques são cometidos pelos próprios parceiros. Isso acontece em países como Bangladesh, Timor-Leste, Índia, Mianmar, Sri Lanka e Tailândia.
Quando se discutem ataques cometidos por homens sem nenhuma relação íntima com suas vítimas, esse número sobe para 40%.
No Egito, Irã, Iraque, Jordânia e Palestina, 37% das mulheres sofrem algum tipo de violência por parte de seus parceiros.
Em países da África, o número é um pouco mais baixo, mas ainda assim alarmante: 36% das vítimas são atacadas pelos parceiros no Congo, Uganda, Namíbia, Botsuana, Camarões, Etiópia, Quênia, Lesoto, Libéria, Malawi, Moçambique, Ruanda, África do Sul, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbábue.
No caso de agressões cometidas por alguém sem nenhuma relação com a vítima, o número cresce para 45,6.
Analisando os casos cometidos por homens sem nenhuma relação íntima com a vítima e aqueles cometidos pelos parceiros contra mulheres acima de 15 anos, também chegamos a números assustadores.
Na Europa e no Pacífico Ocidental, os números caem ligeiramente, com 27% e 28%, respectivamente. Os dados incluem países como França, Finlândia, Grécia, Rússia, Austrália, China, Filipinas e Nova Zelândia.
Mesmo países desenvolvidos e considerados ricos aparecem na pesquisa, totalizando um total de 32,7% de casos.
Em um comunicado que acompanha o relatório, a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, disse que a violência causa problemas de saúde com "proporções epidêmicas".
— Os sistemas de saúde do mundo podem e devem fazer mais pelas mulheres que sofrem violência.
Fonte: R7
Retirado do site:http://www.geledes.org.br
sábado, 27 de abril de 2013
A vulnerabilidade e a força das mulheres negras
Autor(es): Eleonora Menicucci
Ministra de Estado Chefe da Secretaria de Políticas para as
Mulheres
Basta um mínimo de sensibilidade para
perceber que ser mulher no Brasil exige lutar o tempo todo, desde pelo direito
à vida própria (autonomia) até o direito à própria vida (no enfrentamento à
violência). Se a mulher for negra, essa exigência chegará ao absurdo. Isso,
apesar do espaço conquistado por meio das lutas históricas das mulheres em
geral, e das negras em particular. Lutas que conseguiram se traduzir em
políticas públicas; aliás, razão de ser da Secretaria de Políticas para as
Mulheres (SPM): enfrentamento à violência, acesso a trabalho e renda, à
educação e saúde e de empoderamento político.
Mas como a vulnerabilidade é mais aguda para as negras? Uma leitura das estatísticas, somada à escuta de narrativas delas, abre uma fresta para o entendimento dessa realidade.
Mas como a vulnerabilidade é mais aguda para as negras? Uma leitura das estatísticas, somada à escuta de narrativas delas, abre uma fresta para o entendimento dessa realidade.
As mulheres são mais da metade da nossa
população (51,5%, ou 100,5 milhões). As negras são metade das brasileiras: 50,2
milhões (Pnad/IBGE, 2011). Além do peso do estigma sexista, elas, as mulheres
negras, suportam sozinhas o peso da herança escravista. E a desigualdade
trazida pelo sexismo é mais desigual ainda para com as negras. Por exemplo, no
trabalho. Se para as mulheres em geral, a dedicação desigual às tarefas
domésticas e aos cuidados com filhos e idosos dificulta seu ingresso e ascensão
no mercado, para as negras essas barreiras tornam-se verdadeiros pedágios
sociais.
Esses, se conseguido o acesso, geram
diferença de ganho. Se as mulheres em sua grande maioria ganham menos do que os
homens, e os negros também no geral ganham menos do que os brancos, essas duas
condicionantes enfeixam-se perversamente nas negras e derrubam mais ainda os
seus rendimentos. Para a sociedade, consideradas as mesmas funções, é
"natural" que uma negra ganhe 30% menos do que uma branca.
Acrescente-se que o mapa do país tem gradação
de cor, determinada pela pobreza. Há mais negras nas regiões mais pobres: no
Nordeste, 68,9% delas são negras; no Norte, 73,4%; no Centro-Oeste, 54,5%; no
Sudeste, 42,1%; e no Sul, 20%.
É por tudo isso que, além das políticas públicas
voltadas às mulheres, a SPM alinha todas as suas ações ao combate ao racismo.
Uma dessas iniciativas terá seu ponto alto na terça-feira, quando se
homenagearão as vencedoras do Prêmio Mulheres Negras Contam sua História.
O prêmio contempla relatos das negras e as
tira do anonimato para assim reposicioná-las como sujeitos na construção da
história do Brasil. Com isso, permite ao país conhecer (e se reconhecer num) um
acervo de narrativas preciosas pelos dramas, pela coragem e pelas atitudes.
Cito três exemplos, dos 520
redações e ensaios inscritos:
— Uma menina foge da guerra em Angola,
exila-se em Portugal e finalmente chega ao Brasil. Na dura vida de empregada
doméstica no Paraná, sua moeda de troca com os patrões é o estudo. Ele será sua
porta de saída para o escritório, isso, depois de fugir para Cuiabá. Já em
Brasília, cursa jornalismo, contata a Embaixada de Angola e revê sua família.
Hoje, essa angolana-brasileira é repórter da TV Angolana.
— Menina da periferia paulistana sonha com a
USP — isso, antes das políticas afirmativas do governo Lula. Essa narrativa, em
forma de ensaio, compara o antes e o depois dessas políticas para a população
negra. No antes, as tentativas de entrar na USP, os cursinhos comunitários, a
alimentação à base de pão e iogurte barato. Finalmente, enfermagem. Mas ali, de
negros, só estudantes — e, mesmo assim, apenas 10%.
— O bullying marca o relato de uma
pernambucana filha de famoso militante e poeta. Já no Rio, na mistura de
militância e poesia do duro dia a dia, ela teve de conviver com o apelido dado
a quem estudava na sua escola. Com o lanche ali resumido a mate e angu,
viram-se todos e todas ainda por cima cruelmente carimbados de "mate com
angu".
É essa realidade, contada pela voz forte
dessas mulheres e pelos números, que cabe a todos mudarmos. O que já foi
conquistado, pela sociedade e pelo governo, deve ser cada vez mais consolidado
— e como marca de compromisso, para banir de vez o preconceito racial. Por fim,
lembro que o enfrentamento cotidiano à violência e aos preconceitos em nosso
país tem três faces inseparáveis: gênero, raça e classe social — mulheres,
negras e pobres, na grande maioria. Só será possível erradicá-los por meio de
uma mudança de valores e comportamentos na sociedade, para que ela se torne
mais justa, baseada no respeito, na autonomia e na igualdade entre homens e
mulheres.
Fonte: Clipping
http://www.geledes.org.br/areas-de-atuacao/questoes-de-genero/265-generos-em-noticias/18254-a-vulnerabilidade-e-a-forca-das-mulheres-negras
sábado, 20 de abril de 2013
A Fragmentação da Mulher
por Beatriz Torres | 25/02/2013
A
Autonomia da Decisão
No último século nós
mulheres conquistamos nossa liberdade, autonomia e direitos específicos. Somos
belas, guerreiras, inteligentes, modernas e sentimentais. Tornamo-nos mulheres
biônicas, queremos cuidar de tudo e de todos. A feminilidade ainda carrega o estigma
da fragilidade, algumas querem manter isto, ou não, entretanto cada vez mais
mulheres sofrem por não saber o que fazer com tudo que conquistaram. Assumimos
vários papéis. Nos dividimos em filhas, mães, esposas, companheiras,
profissionais e chefes de família. No momento em que é preciso escolher qual
papel é o mais importante a se desempenhar, inicia-se a fragmentação da
identidade, do eu, da personalidade – Porque somos “livres” ou porque somos
expostas a influências externas em que os comportamentos tendem à padronização.
Hoje há respostas para tudo, soluções para tudo. Se não estamos satisfeitas com
o corpo, com o conhecimento adquirido, com o relacionamento afetivo, sexual ou
profissional, tudo têm jeito, tudo pode ser mudado ou consumido. Cria-se uma
felicidade adquirida sobre os anseios de satisfação ao modo de vida, as
possibilidade de sentirmos alegria, contentamento e prazer, ainda que tais
aspirações nem sempre sejam plenas por si, mas efêmeras e artificiais, já que a
utopia da vida feliz não exclui os contratempos, tristezas, desventuras e
desencontros.
Essa vivência do
pós-moderno implica escolhas que dificilmente promovem a satisfação total, como
no caso (não tão hipotético) “escolher entre ir ao cinema visitar o Lázaro
Ramos e o Brad Pitt ou terminar o relatório para a reunião de segunda-feira”, o
velho impasse dos “prazeres ou afazeres” – Fazer escolhas sempre nos deixa
insatisfeitos de uma forma ou outra, seja pela condenação a liberdade de Sartre
ou porque simplesmente nossos desejos não são compatíveis com as convenções do
cotidiano.
A autonomia da decisão é o que nos permite traçar nosso próprio projeto de vida. Isto é, refletir sobre nossas experiências pessoais, nossos sonhos e anseios: Ser consciente sobre o que realmente dá sentido a nossas escolhas. Tal como o filósofo francês Robert Misrahi em seu ensaio sobre “a experiência do ser”:
“Nessa experiência, o sujeito não é mais fragmentado ou dispersado entre diversas personalidades (que opõem, por exemplo, a vida profissional e a criação, a atividade estética, a relação burocrática e a relação autenticamente pessoal). Ele se encontra, ao contrário, unificado, ao mesmo tempo em que unifica essas diversas atividades por seu propósito existencial principal.
[...] É esse prazer existencial e consciente de ser e de existir como sujeito e como vida que chamamos de alegria.”
Somos mulheres, não podemos nos deixar fragmentar diante das atribuições que assumimos. Somos inteiras, complexas, inacabadas. Temos desejos, fazemos escolhas, acertamos e erramos, e são com nossas experiências que nos tornamos únicas.
A autonomia da decisão é o que nos permite traçar nosso próprio projeto de vida. Isto é, refletir sobre nossas experiências pessoais, nossos sonhos e anseios: Ser consciente sobre o que realmente dá sentido a nossas escolhas. Tal como o filósofo francês Robert Misrahi em seu ensaio sobre “a experiência do ser”:
“Nessa experiência, o sujeito não é mais fragmentado ou dispersado entre diversas personalidades (que opõem, por exemplo, a vida profissional e a criação, a atividade estética, a relação burocrática e a relação autenticamente pessoal). Ele se encontra, ao contrário, unificado, ao mesmo tempo em que unifica essas diversas atividades por seu propósito existencial principal.
[...] É esse prazer existencial e consciente de ser e de existir como sujeito e como vida que chamamos de alegria.”
Somos mulheres, não podemos nos deixar fragmentar diante das atribuições que assumimos. Somos inteiras, complexas, inacabadas. Temos desejos, fazemos escolhas, acertamos e erramos, e são com nossas experiências que nos tornamos únicas.
sexta-feira, 8 de março de 2013
domingo, 16 de dezembro de 2012
Essa é a historia da Miryam ... Uma mulher preta que corajosamente resolveu compartilhar sua historia para que outras pretas possam entender como a racismo pode nos afetar. Muito obrigada por partilhar sua historia com a gente Miryam.
Olá preta, sou uma mulher negra e numa pesquisa sobre casais multirraciais encontrei o teu site, que estou a explorar agora mesmo. Quero antes de tudo dar-te os parabéns pelo blog e dizer que realmente gostei bastante das matérias, dos poemas, das reflexões e dos comments... Transmitem realmente aquilo que é a nossa vida, o nosso quotidiano em que nós, mulheres negras, lutamos constantemente para provar o nosso valor e ser reconhecidas, o que mostra que somos mulheres de garra e muito determinadas.
Tenho formas redondas, ancas largas, enfim, sou a típica mulher africana com tudo o que isso inclui em termos físicos, e acho que os homens só se interessam por mim pelo meu corpo, querem passar um bom bocado, querem ter prazer momentâneo comigo e se divertir, a primeira coisa que lhes vêm à cabeça são pensamentos lascivos. Sou abordada muitas vezes na rua, carros a buzinar, velhos e novos já me ofereceram dinheiro muitas vezes. Foi difícil quando me apercebi disso, queria ser normal e me perguntava: será que não sou uma rapariga interessante, será que o que conta realmente é só o meu corpo? Às vezes sentia-me mal com o tamanho do meu bumbum, achava-o demasiado grande. Outras vezes desejava ter um seio mais pequeno.
Hoje em dia, com 22 anos e mais madura, sou mais confiante. Aprendi a gostar cada dia mais do meu corpo e a tirar partido dele, pois aquilo que Deus me deu de forma natural é o que outras mulheres pagam para ter. Faço step, workout e lifting e ginásio, uso roupas para exibir aquilo que tenho de bonito em mim. Me orgulho dos meus lábios grossos, da minha pele escura e do meu cabelo crespo. Sou gostosa mesmo, e daí?
O meu valor não se limita a isso, e acho que cabe a cada uma de nós provar que a nossa cor de pele não define o que nós somos, há antes de tudo uma mulher dentro de nós que é isso mesmo, uma mulher, que merece ser amada e respeitada. Aprendi isso com o meu namorado e futuro marido, que me valoriza por aquilo que sou e me faz sentir a mulher mais amada do mundo, mesmo sendo uma relação à distancia (ele é polaco e eu vivo na França).
Não me canso de dizer que ninguém é melhor que ninguém e que não é por sermos negras que somos inferiores ou incapazes, mas a sociedade está assim estruturada e infelizmente é o que ela transmite. Mas não cruzem as mãos, não se conformem, não se submetam!!! Invistam na vossa formação e educação, refinem-se, maquilhem-se, sintam-se a vontade para entrar em qualquer loja de luxo e ver as novidades, acreditem que podem conquistar qualquer homem, que podem frequentar qualquer ambiente, e vir a ser o que bem entenderem neste mundo. Basta acreditar e fazer por isso! È o que eu tenho feito e vou continuar a fazer!
Cheers from France,
Miryam
domingo, 25 de novembro de 2012
Brasil: Fronteira Leste – africanos atravessam o Atlântico por vontade própria O Brasil está se tornando o novo “Eldorado” para quase 40 milhões de africanos que falam português. Com a crise econômica em Portugal e o crescimento do Brasil, o país tornou-se a principal referência para aqueles que falam a nossa língua, preenchendo o papel que pertencia ao colonizador e mudando a dinâmica da imigração entre países de língua portuguesa. A cada ano, mais imigrantes de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe chegam ao Brasil, minimizando a distância entre os dois lado do Atlântico e reabrindo a nossa antiga “Fronteira Leste”. Quem são estes novos africanos que estão desembarcando aqui? Qual a realidade que eles encontram no país que tem fama de receber bem os imigrantes? Produção Executiva: Tás a ver? Pesquisa, roteiro e direção : Fernanda Polacow e Juliana Borges Edição e finalização: André Lion Câmeras de externa: Luz Guerra, Pablo Hoffmann, Manuel Águas, Otávio Santana e João Nuno Pinto
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
IMPORTANTE!!!
Olá pessoal!
Recebi um e-mail muito legal e eu achei interessante posta-lo, compartilhando com todos que contribuem com esse blog e também solicitar a opinião de vocês.
Olá,
Meu nome é Glenda Cristina Valim de Melo, sou pós-doutoranda em Linguística Aplicada, pela UFRJ, sob a supervisão do prof. Dr Luiz Paulo da Moita Lopes. Disponibilizo aqui os nossos currículos lattes para você ver quem somos: http://lattes.cnpq.br/6215257502502767 e http://lattes.cnpq.br/9443575304118422. Trabalho com o tema mulher negra, performances identitárias e teorias queer. È uma proposta de olhar o negro perpassando por gênero, sexualidade, raça, classe social e nível de escolaridade. Olhar estas categorias entrelaçadas e considerar as pessoas como sujeitos em eterna construção e em conflitos, mas que conseguem pela sua ação mudar sua realidade, mesmo que seja pouco.
Estava pesquisando blogs e encontrei o seu. Achei super legal, assuntos muitos interessantes e que fazem parte do cotidiano da mulher negra. Você esta de parabéns. Tenho acompanhado os textos, os comentários. Percebo que você aborda temas importantes para a sociedade e gostaria de analisar ALGUNS textos de seu blog. Você me autorizaria a analisá-los?
Como é de costume nas pesquisas científicas e éticas, os nomes, as fotos ou qualquer indicação que identifique os participantes serão omitidos e/ou trocados. Comprometo-me a disponibilizar as revistas científicas em que os artigos oriundos desse estudo forem publicado. Penso que no mundo acadêmico, há muitas pesquisas sobre o povo negro, mas poucas são as que dão voz ao negro no espaço digital... E mostram a importância das diversas discussões que ocorrem neste espaço.
Muito obrigada e fico no aguardo de uma resposta!
Glenda Melo!
Assinar:
Postagens (Atom)








