segunda-feira, 15 de junho de 2009

Até quando presenciaremos nossos/as filhos e filhas terem sua saúde mental e emocional abaladas desse modo?

"Mãe, nunca vi um anjo negro.
Não há anjos negros, mãe?
Todos os anjos são brancos.
Não há anjos como eu?
Olha, todas as asas são brancas.
Como os anjos que estão no céu.
Mãe, eu nunca vou ter asas?
Não há anjos como eu?
Mãe, não há meninos negros anjos, mãe?
Mãe, onde fica o nosso céu?
Queria ser um anjo mãe.
Não posso...
Não há anjos como eu."
(Poema da Encandescente)

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Basta!

Nós, mulheres pretas, lutamos para não mais sermos oprimidas por essa sociedade racista e machista que há séculos nos explora.
Basta! Não aceitaremos mais sermos espancadas por homens covardes e violentos, inimigos que na maioria das vezes compartilham conosco o mesmo teto, o mesmo leito. Não manteremos mais amores que nos deixem marcas pelo corpo, pela alma, pela vida...
Não permitiremos mais sermos vistas apenas como objetos sexuais, vendidas como mercadoria barata, tendo nosso corpo, nossa pele, nossa expressão corporal associada ao pecado, a luxuria e ao prazer imediato.
Não continuaremos mais sendo desvalorizadas no mercado de trabalho. Representando a base da pirâmide social desse país, ocupando as profissões braçais (domesticas, faxineiras, cozinheiras, lavadeiras...), ganhando três vezes menos comparado ao homem branco e tendo a maior quantidade de horas trabalhadas.
Não vamos mais ocupar os lugares domésticos das mulheres burguesas que em nome da revolução feminina não aceitam mais executarem os afazeres domésticos, mas não se importam em ter nós, mulheres pretas, ainda oprimidas pelo machismo, limpando e lavando para elas.
Não largaremos mais nossas crianças aos cuidados da vida, da desnutrição, do abandono diário, para servimos de ama de leite (ou baba como nos chamam atualmente) a filhos que não são nossos.
Não choraremos mais a morte violenta dos nossos meninos que são tirados de nós pelo trafico, pelo crime, pelo racismo policial...Também não permitiremos que nossas meninas, ainda tão crianças, tornem-se mães por conta da prostituição e do apelo sexual exposto na mídia e na realidade de nossas meninas. Chega de aceitar que nossos filhos e filhas sejam excluídos das escolas, das universidades, do mercado de trabalho, da sociedade que os tratam como delinqüentes.
Chega de sobreviver! Não queremos mais ter que ser o tempo todo mulheres fortes, firmes, duras, doentes emocionalmente, uma vez que acreditamos que não somos capazes de amar e sermos amada. Queremos ter o direito de demonstrar nossos sentimentos sem medo de sermos feridas. Queremos ter o direito de abraçar nossos filhos e filhas sem a preocupação de que precisamos ensiná-los o tempo todo a serem fortes por conta de um racismo cruel que mais cedo ou mais tarde irá machucá-los. Queremos não mais precisar lutar o tempo todo por conta dos múltiplos preconceitos que nos cercam.
Não aceitaremos mais, em nome de um padrão de beleza branco, mutilar nossos corpos, alisar nossos cabelos, afinarmos nossos narizes, acreditando que o problema realmente esta em nós.
Chega!! Não deixaremos mais que outros e outras falem sobre nossas dores, nossas realidades e necessidades...Chegou nossa hora de gritar, deixarmos soar nossa voz pelas escolas e universidades, no mercado de trabalho, nos nossos lares e comunidades, na política, na mídia, nos debates...Não aceitamos mais nos calar...Basta! Nesse momento nós, mulheres pretas, iremos falar.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Neguinho e Kika

Gênero: Ficção
Diretor: Luciano Vidigal
Elenco: Adriano Vidigal, Babu Santana, Jessica Thamires, Rose Haangesen
Ano: 2005
Duração: 18 min
Cor: Colorido
Bitola: Mini-dv
País: Brasil
Neguinho e Kika. Ele tem 13 anos, ela 14. Dois personagens que estão descobrindo o primeiro amor, vivendo uma história de esperança em uma favela do Rio de Janeiro. Kika, uma adolescente romântica, tem um sonho. Certo dia, ela realiza seu sonho, mas o destino trata de lhe trazer uma surpresa.


Texto ou imagem do link aqui

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Nina Simone

Nome Completo: Eunice Kathleen Waymon
Apelido:
Nina Simone
Data de Nascimento:
21/02/1933
Origem:
Tryon- Carolina do Norte – Estados Unidos
Profissão:
Cantora
Gênero:
Gospel, Folk, Jazz, R&B, Soul, Blues
Data da morte:
22/04/2003

Nina Simone foi uma grande pianista, cantora e compositora americana. O nome artístico foi adotado aos 20 anos, para que pudesse cantar Blues, a "música do diabo", nos cabarés de Nova Iorque, Filadélfia e Atlantic City, escondida de seus pais, que eram pastores metodistas. "Nina" veio de pequena ("little one") e "Simone" foi uma homenagem à grande atriz do cinema francês Simone Signoret, sua preferida. Nina Simone também se destacou e foi perseguida por ser negra e por abraçar publicamente todo tipo de combate ao racismo. Seu envolvimento era tal, que chegou a cantar no enterro do pacifistaMartin Luther King.

Casada com um policial nova-iorquino, Nina também sofreu com a violência do marido, que a espancava.Em um breve contato com sua obra, aqueles que não conhecem percebem logo a diversidade de estilos pelos quais Nina Simone se aventurou, desde o gospel, passando pelo soul, blues, folk e jazz. Foi uma das primeiras artistas negras a ingressar na renomada Juilliard School of Music, em Nova Iorque. Sua canção “Mississippi Goddamn” tornou-se um hino ativista da causa negra, e fala sobre o assassinato de quatro crianças negras numa igreja de Birmingham em 1963. Nina esteve duas vezes no Brasil, e seu último show ocorreu em 1997 no Metropolitan. Era uma intérprete visceral, compositora inspirada e tocava piano com energia e perfeição. Morreu enquanto dormia em Carry-le-Rouet em 2003.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Nina_Simone

A primeira vez que ouvi Nina Simone eu chorei. Chorei sem saber o motivo. Chorei um choro engasgado, doido, sentido... Parecia que era um choro de décadas, um choro que precisava ser colocado para fora, um choro não só meu, mas de tantas outras mulheres pretas que lutaram (cada uma a seu modo, com as armas que possuíam). Foi um choro de companheirismo, um choro de alivio e compromisso (alivio por me mostrar que não estava sozinha, que existiram tantas outras antes de mim que também lutaram e compromisso com o que ainda precisa ser feito, com a responsabilidade que nós, jovens mulheres pretas, temos com nossas companheiras do passado.
Nina Simone para mim é bem mais que uma cantora de Blues, bem mais do que uma linda e suave voz que consegui ser doce e forte ao mesmo tempo. Nina Simone para mim é a mais um fio dessa tentativa desesperada de construção de identidade, de resgatar uma historia que me foi negada, de respeito com irmãos e irmãs que lutaram contra o racismo, a violência do corpo e da alma. Nina Simone, assim como tantas outras irmãs também foi oprimida, violentada, espancada, mas lutou com a arma que tinha (sua voz) contra isso. Sua historia assim com tantas outras não pode ser esquecida.
Para mim algumas músicas precisam ser ouvidas com o corpo, a alma e o coração, pois muitas vezes elas trazem na sua melodia lindas historias de vida e de luta.
Gostaria de agradecer a uma amiga muito especial que alimentou meu espírito ao me apresentar Nina Simone. Paloma adoro você!

terça-feira, 14 de abril de 2009


O que vem a sua cabeça quando escuta a palavra África?
Provavelmente a visão de uma África triste, de pessoas famintas e doentes, pobre, incapazes de lutar por suas vidas, um lugar para se fazer boas ações, serem caridosos (as) ajudando um povo tão frágil e indefeso. Enxergamos a África como um lugar com pessoas dignas de dó e piedade. Quantas vezes não ouvimos frases do tipo: “precisamos levar o desenvolvimento ao Continente africano”, “Que tristeza ver essas pessoas tão famintas e doentes”, “A África é um lugar tão pobre de tudo, não podemos deixar esse povo morrerem”, “Olha filhinha não desperdice comida, pois na áfrica existe um monte de crianças que passam fome!”.
Como podemos nós, um país com a maior concentração de descendentes de africanos desconhecermos nosso continente de origem? Eu disse CONTINENTE e não país como muita gente entende a África. Profissionais acadêmicos prestes a dar aula de Geografia ainda enxergam a África como um país!!!! Como pode um absurdo desses? Até quando mostraremos nas salas de aula a visão de uma África estereotipada, representada como o país do safári, selvagem, exótica, homogênea, sem valor humano, cultural, sem historia, sem vida... Uma África completamente dependente.
O Continente africano não é só fome, miséria e doença. São 54 países independentes. Um continente rico em cultura, arquitetura, paisagens, cores, tradições, historias, cidades, pessoas...

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SOU ÁFRICA



(Rogério, Thomas, Gnomo, Junior são de São Paulo/SP)


Quem vende sua alma barato é rato
É fato o que tenho dito
Sou preto, e repito
Não me dou ao inimigo
E o rato paga o pato
Ao se vender para o inimigo
Não paga como indivíduo
Mas sim como coletivo
Com sua alma de preto. Paga
Com o seu povo no gueto. Paga
Nas senzalas, nas correntes. Paga
Outrora escravizaram nosso corpo
E a liberdade estava na mente
Hoje escravizam nossa mente
Quando o corpo é independente
Isso na cabeça de meus irmãos, não aceito
Portanto... é por pouco tempo
Com minha lança furo seu sapato
E venho na multidão
Cobrando 500 anos de escravidão
Não sou rato; sou mais um em um milhão
Sou Zumbi, sou Luiz Gama,
sou Malcon X,sou Marcos Garvey
Sou homem preto, mulher preta,
sou jovem, sou criança...
Sou África.


A mesma África, um outro olhar

UM LUGAR CHAMADO UMOJA

Foto-reportagem de Christophe Calais/
Corbispor Manuel Dias Coelho

Umoja é nome de aldeia, de refúgio único de mulheres ultrajadas, de bandeira de liberdade e de fermento de feminismo. Nesse recanto do Quénia os homens entram, mas não mandam. Conheça um feudo feminino onde as mulheres são as únicas senhoras dos seus destinos. Um grupo de quenianas estigmatizadas pela violação sexual fundou uma aldeia onde só elas reinam, dominam e decidem os seus destinos. Os poucos homens que com elas convivem sujeitam-se às regras da submissão ao poder feminino e os que visitam a aldeia fazem-no apenas na condição de parceiros amorosos.

Uma mulher de corpo inteiro
Rebecca Samaria Lolosoli é uma mulher de idade indefinida que fundou a aldeia de Umoja, dando abrigo a outras mulheres que, como ela, foram ou são vítimas de violação ou de abusos sexuais, ou que querem fugir de casamentos forçados ou de uma escravidão diária. Um dia, na sua aldeia, enfrentou o poder patriarcal e familiar ao decidir que o casamento de um irmão seu com uma rapariga de 13 anos não iria ter lugar. Agarrou na mão da menina, que tremia, e disse-lhe: “És uma criança. Ele é um velho. As mulheres já não têm de aturar este tipo de disparates.” E ordenou ao irmão que regressasse a casa. Só.


Um lugar de excepção
Ao contrário do que acontece na restante África, as mulheres circulam livremente em Umoja, sem receio de poderem ser assaltadas sexualmente. Segundo o relatório de uma ONG ao serviço da Organização das Nações Unidas, as distâncias extremas que as mulheres africanas são forçadas a percorrer para se abastecerem de alimentos, de água, ou de lenha para elas e para os filhos, propiciam as violações sexuais. Alerta esse documento: “As mulheres têm de caminhar longas distâncias, por vezes no interior das florestas, apenas para encontrar água. Durante a caminhada elas são, muitas vezes, vítimas de violação.” Até nisto, Umoja é um reduto de liberdade.
De vítimas a mulheres determinadas

Umoja é um feito de 15 mulheres lideradas por Rebecca Lolosoli, as quais travaram uma dura luta com as autoridades britânicas para que se fizesse justiça por terem sido violadas, várias delas repetidamente, por soldados britânicos durante exercícios militares no Quénia, nos anos 80 e 90. Algumas exibiram como prova os filhos mestiços. A justiça acabou por ser feita e pagas indemnizações, e o seu paladino foi Martyn Day, do escritório de advogados Leigh Day & Co., sedeado em Londres. Ainda assim, os maridos repudiaram-nas por elas constituírem uma mancha na sua honra de homens. Abandonadas, decidiram fundar um lugar só para mulheres, Umoja, e viver pelos seus meios. Passados 17 anos, vivem independentes, algumas com filhos nascidos de uniões recentes com os namorados que visitam a aldeia.
Os frutos da liberdade

São cerca de meia centena as mulheres que vivem em Umoja e que passaram a subsistir de artesanato e de elaborados colares de contas que fabricam e vendem a mulheres samburu e a turistas que viajam para a Reserva Nacional de Samburu. Estão ligadas ao mundo exterior pelas novas tecnologias, como se pode ver pelo telefone celular na fotografia acima. Rebecca Lolosoli tem um site onde pede apoio e ajuda financeira ao seu louvável projecto em www.jambosafaris.com/umojacharity.htm. A loja on-line de venda de artefactos destas mulheres, cujos proventos revertem a favor da causa, pode ser consultada em www.samburucouncil.co.uk. Os contactos com Lolosoli podem ser feitos através do e-mail mailto:paranlolo@africaonline.co.ke.ke.

Um caso de sucesso
suficientes para subsistirem com os filhos e com os escassos homens que optaram pela “submissão” às leis da comunidade. Com as mulheres no comando, as crianças passaram a frequentar a escola da aldeia em vez de tomarem conta do gado, como ordenariam os homens se vivessem num outro lugar. Rebecca Lolosoli disse ao The New York Times: “Temos visto tantas mudanças positivas nestas mulheres. Estão mais saudáveis e felizes. Vestem-se melhor. Dantes costumavam pedir [alimentos]. Agora, são elas que dão comida a outros.”
A força de mulheres livres
Quando as mulheres erigiram a aldeia de Umoja, os homens que se sentiram abandonados construíram uma outra aldeia do outro lado da estrada, de forma a melhor poderem controlar as vidas e os actos das suas mulheres, noivas ou familiares que decidiram viver na comunidade feminina. E porque não existe o divórcio na cultura samburu, muitos dos homens irrompem pela aldeia exigindo o regresso a casa das esposas. Se eles se tornarem violentos face à resistência delas, as mulheres recorrem às autoridades locais. A independência em Umoja faz com que sejam as mulheres a eleger os seus parceiros sexuais. Uma delas disse: “Nós não dizemos que não precisamos dos homens. Somos humanas e temos as nossas necessidades. Mas os homens que aqui entram ficam por pouco tempo. São meros namorados.”

Cantar a felicidade

Rebecca Lolosoli e as suas companheiras de luta e de vida em comum têm motivos para se sentirem felizes. O que elas conseguiram é um pequeno paraíso comparado com a dramática realidade das demais mulheres africanas. Em Março deste ano, Alpha Oumar Konaré, presidente da Comissão da União Africana (UA), denunciou que a violência contra mulheres e raparigas em África atingiu níveis sem precedentes, e isto inclui a violação sexual de mulheres de todas as idades e de bebés menores de um ano. O exemplo de Umoja é difícil de repetir num continente onde se intensifica a feminização da pobreza e se dissemina de forma assustadora o vírus da Sida nas mulheres.
O poder no feminino
A independência adquirida pelas mulheres de Umoja tornou-as tão respeitadas que mulheres de outros pontos do Quénia têm procurado refúgio na aldeia, e a sua matriarca, Rebecca Lolosoli, participou numa importante conferência internacional sobre género e igualdade de oportunidades entre os sexos, realizada em Nova Iorque. Lolosoli tem razão quando afirma: “Nós, as mulheres, estamos sempre debaixo dos homens. Tratam-nos como se não existíssemos. Só servimos para lhes dar filhos. É como se fôssemos propriedade deles, e, ainda por cima, somos maltratadas.” Só que em Umoja isso já faz parte do passado e Rebecca Lolosoli garante que assim se irá manter.
Fontes: Edições on-line de The Washington Post, The New York Times, BBC News, Organização das Nações Unidas, União Africana e site de Leigh Day & Co

quinta-feira, 26 de março de 2009

E de repente, não mais que de repente... Eis que ele surge. Que belo sorriso, tão amável, gentil... Será possível!? Talvez seja ele o tão esperado amado.
E de repente, não mais que de repente... Sua entrega total a um novo amor...Juras eternas, flores, desejos, tudo o que foi imaginado agora sim, real....
E de repente, não mais que de repente, eis que acontece... A primeira briga. Ciúmes, insegurança, medo de perder. Ele pede desculpas...Não precisava ter alterado a voz, te ofendido verbalmente, ter ameaçado. Tudo bem! Foi só uma briguinha besta. Ciúmes... è sinal que ele ama.
E de repente, não mais que de repente... Aumentam as brigas, altera-se cada vez mais a voz, o humor, a relação de amor e ódio. Surgem as marcas...Um empurrão, um puxão de braço,um tapa, choro, palavras que machucaram profundamente. Cadê aquele sonhando amado?? Quanta desilusão. Mas ele pede desculpa, mais uma vez foi o excesso de amor, muito ciúmes, problemas no trabalho, medo de perder. Tudo bem! Talvez você tenha dado motivo, talvez não esteja sendo compreensiva o bastante, talvez não esteja cumprindo com suas obrigações de companheira.... Afinal que homem não ficaria irritado com tantos problemas na cabeça. É o estresse, logo passará.
E de repente, não mais que de repente, eis que não passou e as marcas aumentaram... Socos, chutes, murros, seu braço quebrado, seu rosto inchado... O que dizer no momento desse? Silencio. Óculos escuros...Não foi nada, cai da escada... A culpa como sempre foi sua. O que estou fazendo de errado? Sabe que preciso deixá-lo, mas como fazer isso se ainda o ama tanto? Não saberia viver sem ele. Talvez ele esteja certo... Olhe para você...Quem iria ama - lá , se não ele?
E de repente, não mais que de repente, eis que algo muda e aquele amor tão bonito do inicio dar lugar ao medo, a insegurança, a tristeza, a desesperança... estupro, mais um filho perdido por conta das surras. Agora chega!Preciso deixá-lo, mas como? Para onde ir? Ele prometeu te achar em qualquer lugar. Esta presa a ele.
E de repente, não mais que de repente, eis que deixa de ser humana e vira propriedade e como tal não tem mais o controle da sua vida, do seu corpo, do seu pensamento, das suas vontades. O encanto acabou... O amado agora é o inimigo, o seu agressor. Qualquer motivo serve para uma surra nova... a comida que não ficou boa, a casa que não esta devidamente limpa, seu cheiro, sua presença, sua passividade ...
E de repente, não mais que de repente, surge o momento... É agora! Tem que ser agora... Roupas na mala, passagem comprada, um fio de coragem...Você pode! Sei que pode fazer isso... Um olhar no espelho...Quanto roxo, quantas cicatrizes pelo corpo. Chega! Não quer mais isso. Merece ser feliz ser amada de verdade.
E de repente, não mais que de repente eis que esta parada em frente à delegacia. Respiração ofegante... Meu deus, como é difícil? Mas já esta ali e não pode desistir. Precisa fazer isso por si e por tantas outras que ainda estão no cativeiro de seus lares, tendo suas vozes abafadas por socos, tapas, chutes, estupros... Boletim de ocorrência feito, lido e assinado. Será que acabou? Talvez isso não o impeça de ir atrás numa nova tentativa de te ferir...Mas dessa vez conto com o nascer de um novo amor... O amor próprio que te fará lutar, gritar e romper com esse ciclo de agressões.
E de repente, não mais que de repente, eis que chora um choro leve, sem dor, sem medo, sem desamor... As marcas ainda estão espalhadas pelo corpo e pela alma e só o tempo será capaz de fechar essas feridas que ainda sangram. Eis que respira profundamente... Esta viva e livre novamente!
(Luciana dos Santos - 06/03/09)

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

A Mulher Negra Guerreira Está Morta!!! Esta???


A Mulher Negra Guerreira está morta...Há poucas horas, enquanto lutava com a realidade de ser humana e não um mito, a mulher negra guerreira faleceu.Fontes médicas afirmam que ela morreu de causas naturais, mas os que a conheceram sabem que ela morreu por ficar em silêncio quando deveria ter gritado; por sorrir quando deveria ter liberado sua fúria; e por esconder sua doença para não incomodar a ninguém com sua dor.Ela morreu de overdose de gente em suas costas quando não tinha energia nem para si mesma.Ela morreu de tanto amar homens que não amavam a eles próprios e que a única coisa que lhe davam em troca era um reflexo distorcido.Ela morreu por criar filhos sozinha e por não poder fazer todo o serviço.Ela morreu por causa das mentiras sobre a vida, os homens e racismos que sua avó contou à sua mãe e sua mãe lhe contou.Ela morreu por ser sexualmente molestada quando criança e por ter que carregar a verdade consigo pelo resto da vida, trocando sempre a humilhação por culpa.Ela morreu de tanto ser espancada por alguém que dizia amá-la, e ela permitia que o espancamento continuasse para mostrar que também amava esse alguém.Ela morreu de asfixia, cuspindo sangue por causa dos segredos que guardava tentando abafá-los em vez de se permitir a crise de nervos que lhe era de direito – mas que só as mulheres brancas podem se dar ao luxo de ter.Ele morreu de tanto ser responsável, porque ela era o último degrau de uma escada sem apoios e não havia ninguém que pudesse ampará-la.A mulher negra guerreira está morta. Morreu por causa dos tantos partos de crianças que ela na verdade nunca quis, mas que a moral estranguladora dos que a cercam obrigou-a a ter.Ela morreu por ter sido mãe aos 15, avó aos 30 e um antepassado aos 45.Ela morreu por ter sido derrubada e tiranizada por mulheres não-evoluídas que se diziam sisters, companheiras.Ela morreu por fingir que a vida que levava no século XXI era um momento Kodak e não um pesadelo pós-escravidão.Ela morreu por tolerar qualquer zé mané só para ter um homem em casa.Ela morreu por se relacionar com homens brancos,e acreditar que era amor.Ela morreu por falta de orgasmos, porque nunca soube de suas reais capacidades.Ela morreu por causa dos joelhos dolorosamente comprimidos um contra o outro, porque respeito nunca fez parte das preliminares sexuais que lhe eram impostas.Ela morreu por causa da solidão nas salas de parto e abandono nas clínicas de aborto.Ela morreu por causa da comoção nos tribunais onde sentava-se, sozinha, vendo seus filhos serem legalmente linchados.Ela morreu nos banheiros com as veias irreversivelmente abertas pelo descaso geral e pelo ódio que sentia por si mesma.Ela teve morte cerebral combatendo a vida, o racismo, os homens, enquanto seu corpo era arrastado para um matadouro humano para ser espiritualmente mutilado.E algumas vezes quando se recusou a morrer, quando apenas se recusou a entregar os pontos, ela foi assassinada pelas imagens fatais de cabelos loiros, olhos azuis e bundas chapadas, quando foi rejeitada pelos Pelés, Djavans e Ronaldinhos da vida.Às vezes, ela era arrastada para a morte pelo racismo e pelo sexismo, executada pela ignorância hi-tech enquanto carregava a família na barriga, a comunidade na cabeça, e a raça nas costas.A escandalosa mulher guerreira sem voz está morta!!!!!!Ou Ela Está Viva, E Se Mexendo????? ?Eu sei que eu ainda estou aqui.E você? Está se sentindo viva?Irmã .. cuide-se!Asé


(tradução do texto The Strong Black Woman is Dead, de autora desconhecida)

Pintura: “Sisters in Spirit” – Monica Stewart

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas... continuarei a escrever. (Clarice Lispector)

Sempre gostei de escrever. A escrita para mim vai muito alem do simples juntar de letras. A escrita para mim é um registro, minha historia desenhada e guardada para quem um dia se interessar em ler.
Talvez essa vontade de escrever e registrar minha historia tenha vindo da minha falta de historia. Nós pretos e pretas sabemos muito bem a dor de passados sem registros a espera de historia de vidas que foram omitidas... Histórias do nosso povo, nossos ancestrais, nossa cultura, nossos irmãos e irmãs que lutaram por uma sociedade mais justa e igualitária, sem o racismo, preconceito, machismo e outros males que ainda permanecem em nossa sociedade.
Comecei a escrever muito cedo, para quem sabe com isso reencontrar a minha historia ou dar inicio a uma história para que meus filhos, netos, bisnetos ou qualquer um que se identifique pudesse ter como um ponto de partida. De inicio a escrita para mim era uma tentativa de
autoconhecimento (escrever, escrever, escrever... para reler e tentar entender). Mas agora percebo que a escrita pode ser muito mais que isso.... A escrita pode ser uma das minhas ferramentas de luta (contra o racismo, a desigualdade social, o machismo, o sexismo, a violência contra a mulher...).
O objetivo desse blog é construir mais um espaço de debate e discussão sobre questões que envolvem principalmente a mulher preta. Noto, ao tentar buscar pela internet, que ainda é muito complicado encontrar blogs e sites que falem sobre a condição da mulher preta em nossa sociedade. Todavia sei que existem muitas lutas em que todos nós devemos prestar solidariedade e por isso tentarei abordar outros assuntos pelo qual me solidarizo e contribuo com minha luta diária.
Não me considero uma militante. Sei que ainda tenho muito que aprender... Por enquanto me classifico como uma mulher preta que busca construir e fortificar cada vez mais sua identidade, contribuindo (talvez de forma mínima ainda) na luta contra tudo o que nos oprime.

Quem eu sou!??



VOCÊ É ESPELHO DO QUE VOCÊ GOSTA... ENTÃO EU SOU:
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