sábado, 25 de outubro de 2014

Debout les femmes, Une vidéo que toutes les femmes du monde devraient voir !




CONFISSÕES DE UMA MULHER EM CRISE (Texto de Pamela Sobrinho para as Blogueiras Feministas)

Confissões de uma mulher em criseAcredito que muitas pessoas passem por crises existenciais em alguns momentos da vida. No geral, minha sensação é de que entro em crises quase que diariamente por ser mulher. Como não surtar quando somos cobradas diariamente para sermos Super-Mulheres? Não no bom sentido da palavra. Porque somos cobradas para sermos seres imortais, fortes e que nunca fraquejam, modeladas por uma sociedade e uma cultura de muitos anos. Quem inventou essa ideia de que a mulher veio depois do homem? Quem disse que por trás de todo homem tem uma mulher? Pergunto-me diariamente como ideias tão antigas perduram até hoje.

Lendo revistas femininas, havia um artigo com o seguinte titulo: “47 dicas para você ser uma mulher poderosa”. Sobre o que tratará esse artigo? Será sobre emprego? Será sobre como nós mulheres somos poderosas quando conciliamos casa, família, emprego e lazer? Não, não era nada disso, era mais um artigo machista e patriarcal que tenta ditar como nós mulheres devemos ser. Para ser ter uma ideia, a dica 4 é: “Encontre um cara que você queira fazer feliz todos os dias, para o resto da sua vida, e case-se com ele”. E se você não quiser se casar? Você vai deixar de ser poderosa? A dica 15 diz: “Você nunca perderá nada por ser discreta. E, se perder, ninguém vai ficar sabendo mesmo”. Isso é sério? Essas dicas me levarão onde?

Infelizmente, muitas mulheres seguem a risca essas “dicas”. Não que elas estejam erradas, mas nós, mulheres, crescemos acreditando que não somos poderosas se não estivermos nos moldes que a sociedade prega. Se você é branca, cis, loira ou morena, com cabelo liso e magra, talvez sofra menos as pressões sociais, mas essa não é a realidade de todas as mulheres. Se você for negra, por exemplo, ou é vista como uma Globeleza ou é ignorada pela sociedade. Se você é gorda, sofre outros tipos de exclusão. Se é uma trans*, o desrespeito é tão absurdo que nem como mulher você é considerada.

Alicia Keys, na música “Superwoman”, diz a seguinte frase: “Eu me levanto e continuo procurando, pelo melhor pedaço de mim, de cabeça baixa por esse peso, escrava da humanidade, eu levo isso em meus ombros, tenho que encontrar a minha força interior”.

Sim, somos escravas da sociedade. Sendo escravas, somos levadas diariamente a abandonar nossas ideias, deixar nossas vontades de lado para seguirmos um molde ao qual nos encaixamos e sofremos por causa disso. Quantas de nós não surtaram um dia porque não estavam num padrão aceitável? Queremos ser aceitas, mas será que vale morrer por isso?

Até quando seremos vitimas de um padrão que não existe? Até quando existirão padrões para determinar quem é a mulher real e quem não é?

Na mesma música, Alicia Keys também diz: “Por todas as mães que lutam, por dias melhores que virão, por todas as mulheres sentadas aqui agora, que tem que voltar para casa antes do sol se por, para todas as minhas irmãs, cantando juntas, Dizendo: Sim eu vou, Sim eu posso”. Também respondo sim. Nós vamos levantar todos os dias e lutar por um mundo onde não sejamos mais escravas, mas sim donas de nosso próprio destino.




Autora
Pamela Sobrinho é economista no Sistema S, editora na revista Betim Cultural, blogueira, mulher, feminista, sem denominações religiosas, mas amante do respeito e da igualdade. Escreve no blog: O que há por trás da Economia. Twitter: @pamsobrinho.


sábado, 21 de junho de 2014

Documentário Sobre Estética e Cabelos Afros: Espelho, Espelho Meu!

Através de depoimentos, o documentário "Espelho, espelho meu", produzido por Elton Martins, aborda apresentações afro-estéticas no período juvenil. Mães, crianças e adolescentes: todos falam um pouco de suas experiencia com os seus cabelos e sobre suas escolhas pessoais. Além disso, o vídeo conta com a participação do historiador Antonio Cosme que norteia o tema ao destrinchar o processo de construção de identidade. 
O historiador fala, também, que a realidade é quase o oposto do que deveria ser. Ele explica as expressões identitárias atuais e as define como consequência da alteridade, da relação étnica-racial brasileira. Depoimentos de adultos (homens e mulheres), adolescentes e crianças são usados no documentário como confirmações do que fala o historiador. 
O vídeo tem logo na introdução uma mulher  negra se produzindo em frente ao espelho, com música de fundo. Em seguida, Antônio Cosme abre o documentário com o primeiro depoimento. A fotografia faz jus a temática: apresenta pessoas que usam cabelo no estilo black power ou com trança enfeitadas, por exemplo, em contraponto a cultura reinante do cabelo liso. Música também são inclusas: algumas instrumentais e outras cujas letras coincidem com o assunto do documentário.  






terça-feira, 18 de março de 2014

IMPORTANTE

Olá Meninas, Mulheres da Pele Preta!
(e Meninos, Homens da Pele Preta Também rs)
Hoje venho aqui para dizer o quanto fico feliz ao perceber que aos poucos este Blog vem conseguindo alcançar seus propósitos, tornando-se um espaço de troca de experiência, informação e divulgação. É muito bom saber que este espaço tem servido de suporte para pesquisas e divulgações de projetos... Esse é o intuito desse blog. Por isso gostaria de dizer a todos que fiquem a vontade para encaminhar seus textos, poemas, projetos, ações ou qualquer outra coisa que venha contribuir para a construção da nossa identidade preta.
Pensando nisso, fico muito feliz em divulgar o Projeto de Pesquisa da Maria Rosa e o processo de audições para compor o grupo Battys Girls. 
Dêem uma lida nas postagens a baixo para maiores informações. 

Bjs

Preta.



MULHERES PRETAS, BORA AJUDAR A MARIA ROSA NO SEU PROJETO DE PESQUISA !!!

Pessoal, peço a ajuda de todos para responderem o minha pesquisa de publico alvo para meu trabalho de conclusão de curso descrito abaixo, são apenas 10 questões de marcar, é rapidinho.

Este projeto tem como tema a fotografia no Brasil e terá como recorte temático a Vida e Experiência de Um Feminino Negro.
 Esse recorte servirá para o desenvolvimento da linguagem estética  para a produção de um editorial de fotografia experimental, que terá como referencial estético o trabalho mesclado e conceitual do fotografo mineiro Eustáquio Neves. E ainda para o conteúdo textual, será narrado o depoimento real feito por uma mulher negra de nome Lila, relatado no livro “Mulher Negra, Homem Branco” da autora Gislene Aparecida dos Santos.
Este editorial tem a intenção de traduzir os sentimentos da personagem Lila, uma mulher que busca respostas em relação a sua convivência com o racismo e o por que da existência dessa exclusão social e o motivo ao qual leva os próprios negros descriminarem sua raça.
O editorial tem como objetivo mostrar como a fotografia pode ser utilizada de  maneira artística e moderna, além de mostrar para as pessoas como o afastamento social pode prejudicar uma vida, como ideais podem ser interrompidos, o preconceito e a automutilação de uma mente perdida  no meio de tantas perguntas que se foram sem respostas.


muito obrigada!
Maria Rosa Pereira


ATENÇÃO!!!! GRUPO BATTYS GIRLS FAZ AUDIÇÕES PARA ESCOLHER DUAS NOVAS INTEGRANTES


Depois de quatro meses de formação, o Grupo de dança feminino Battys Girls está na busca por duas novas integrantes para completar dez mulheres nos palcos das noites paulistanas.
Entre os dias 18 de março e 01 de abril, meninas acima dos 18 anos podem se inscrever para a audição que acontecerá dia 06 de abril, das 13h30 às 17h, no Céu Jaçanã.
"Não estamos buscando dançarinas profissionais, com corpos esbeltos. Nosso objetivo é buscar mulheres comuns, que amem dançar, que tenham disponibilidade para ensaios e shows e estejam sempre com autoestima boa para completar a energia do grupo", diz Bruna Battys, estilista, personal stylist e empresária do grupo.
Para participar da seleção, a candidata deve se inscrever no link http://bit.ly/1iWdNQ7, mandar uma foto de corpo inteiro e uma de rosto para o e-mail battysgirls@gmail.com, indicando nome e se a inscrição já foi efetuada, e preparar uma coreografia de até 1 minuto, de qualquer estilo musical, para o dia da apresentação. É importante levar a música salva num cd!

O grupo
As Battys Girls surgiram em dezembro de 2013, num projeto desenvolvido pela estilista Bruna Battys e apresentado na 12ª Feira Preta Cultural. O grupo apresentou um pout-pourri dos grandes sucessos do momento, entre Rihanna, Ciara e Beyoncé. Em 2014, as Battys Girls já participaram do clipe do Pulse011 "Pega esse passinho", se apresentaram na escola de samba Nenê da Vila Matilde e, atualmente, fazem parte da organização das noites de sexta-feira do Hotel Cambridge, junto com o Zezão Eventos, e apresentações periódicas na balada.

Informação Enviada por: Jessica Gonçalves

domingo, 5 de janeiro de 2014

Valente – Sobre estereótipos de gênero e violência - por Maria Rita



Durante um (longo) período da minha vida eu vivi buscando atender expectativas sociais que eu acreditava serem as minhas metas de vida. Eu estudaria, trabalharia, me casaria, teria filhos, e netos e envelheceria ao lado do meu grande amor.  Isto é que eu ouvia dizer sobre “sucesso para garotas”. Nunca gostei muito desta ideia, de ter algumas partes deste “sucesso” condicionadas a outras, nunca via muita lógica para a necessidade de ter um marido para ter um filho, mas ok se o “certo” era comprar o combo, eu seguiria por este caminho.
No meio da minha estrada eu me apaixonei por inúmeras pessoas, me apaixonava todos os dias, às vezes pela mesma pessoa, às vezes por pessoas diferentes, às vezes por mais de uma ao mesmo tempo, me apaixonava por sorrisos, por ideias, por cheiros, por toques, mas acima de todas as coisas me apaixonava por quem me fazia rir.
Tive relacionamentos com gente bacana, vivi um poliamor que não deu certo, provavelmente por desconhecermos o que era o poliamor (e se vocês , pessoas que eu amei demais estiverem lendo isto saibam que foi foda e especial apesar de tudo) , passei pelas mãos de gente violenta, dessas que agridem na base da porrada mesmo, que ameaçam,  que estupram. E desde o cara bacana até na relação violenta eu acreditei veementemente de que as coisas aconteciam da maneira como tinham que acontecer e que se alguma coisa deu errado, se o relacionamento nadou em lama e terminou, se eu apanhei, se as pessoas gritaram comigo, era porque obviamente a culpa era minha, eu era uma “pessoa difícil”. Ou eu havia irritado estas pessoas, ou eu era cansativa, feia demais, gorda demais, negra demais, ou eu havia provocado e na minha mente a vida era assim com todo mundo, ou com toda mulher. Na minha ideia de amor, para que tudo desse certo bastava descobrir tudo que o objeto do meu desejo gostava ou sonhava e fazer o possível para atender estas expectativas daquele ser.  E estava tudo bem porque embora esta mensagem não tenha sido passada diretamente de dentro da minha casa, isto era o que eu lia nos livros preferidos, o que eu via na Tv, via nos filmes, nas músicas mais tocadas no rádio.
Eis que um dia eu decidi ficar pra valer com alguém, finalmente um relacionamento sem gritos, sem abusos, sem estresse, e onde eu sorria absolutamente todos os dias da minha vida. Pensei agora sim, é aqui que eu quero ficar, eu estava apaixonada e feliz, mas como a vida não tem relação nenhuma com a parte feliz dos contos de fada, tanto eu quanto ele,  fomos arrastados para armadilha dos estereótipos de gênero.

“Mulheres são delicadas”

“Mulheres são o sexo frágil”

“Um  homem deve ser o provedor do lar e da família”

“Homens são fortes”

“Homens não choram”

No meu novo lar trabalhar era inconcebível, afinal na casa existia um provedor. Estudar para que? Onde eu achava que usaria o meu diploma? O que eu fazia o dia todo em casa e ainda atrasava a janta? Este era o mote das nossas conversas, claro que não era só isso, mas esta era a base daquele relacionamento e eu achava tudo àquilo absolutamente NORMAL. Era aquilo que se esperava dele, e eu precisava atingir aquilo que se esperava de mim. Eu estava ali para servir e obedecer, e havia sido tratada desta forma a vida inteira sem me atentar para a questão, sem associar meu comportamento a tudo o que haviam me ensinado na escola sobre o que era uma família, sobre qual era o lugar do negro, o lugar da mulher. E então veio o filho, veio a cobrança para que nascesse junto com o bebê uma mãe sabe tudo e que tinha que dar conta de tudo e com excelência, afinal mulheres nasceram para isso. E nesta vibe criamos um abismo entre nós, nos ferimos, nos cansamos, mas tecnicamente atingimos todos os objetivos do jogo hétero-cis-normativo. Por fim a relação acabou com uma única frase que resumia tudo o que eu tinha vivido até aquele ponto na minha vida - “Aqui dentro da minha casa você não tem direito a nada”. Com a minha falta de direitos externada ficou claro pra mim que aquilo tudo que havia sido construído não eram nem de longe as minhas metas de vida.

Quanto daquilo que vivemos é fruto daquilo que a sociedade nos impõe como o certo? Penso no que me impediu por 27 anos de me rebelar contra o sistema e descobri as coisas que possivelmente eram as minhas aspirações reais. Quantas coisas os meus parceiros fizeram porque “é assim que é”, quanto foi feito “em nome da honra”, para marcar território, para impor respeito.
E o tempo passou eu tive outras tantas relações e percebi que ainda incorria nos mesmos clichês, eu os enxergava agora, mas como mudar?  E se eu mudasse como fazer o outro mudar?
Descobri que estereótipos de gênero se aplicam a todos os tipos de relações, até mesmo nas relações lésbicas, da qual posso falar com propriedade, grande parte destas relações ainda é a reprodução de uma ideia e um ideal hétero-cis-normativo que ainda inclui conceitos como a “masculina” e a “feminina” e pauta sua convivência naquilo que uma pode e a outra não, em quem regrará sua roupa, em quem lava a louça, em quem abre potes e troca pneus, quem é ativa e quem é passiva, quem pode e quem não pode chorar.
Sexismo é um termo que se refere ao conjunto de ações e ideias que privilegiam determinado gênero ou orientação sexual em detrimento de outro gênero (ou orientação sexual). Embora seja constantemente usado como sinônimo de machismo é na verdade um hiperônimo(algo que designa uma classe toda, agrupando várias sub-classes) deste, já que é possível identificar diversas posturas e ideias sexistas (muitas delas bastante disseminadas) que privilegiam um gênero em detrimento a outro. De maneira geral, o termo é usado como exclusão ou rebaixamento do gênero feminino.
Sexismo internalizado é definido como a crença involuntária por meninas e mulheres de que as mentiras, estereótipos e mitos, repetidos a exaustão em uma sociedade machista, são verdadeiras. Meninas e mulheres, meninos e homens vêem às mensagens sexistas (mentiras e estereótipos) sobre as mulheres em toda a sua vida útil. Eles ouvem que as mulheres são estúpidas, fracas, passivas, manipuladoras, sem capacidade para atividades intelectuais ou de liderança. Em contrapartida cabe ao homem ser forte, ativo, racional, líder.
Há duas conseqüências lógicas e previsíveis de uma vida inteira de tais mensagens. Primeiro, meninos / homens vão crescer a acreditando em muitas destas mensagens, e tratarão  as mulheres de acordo. Eles serão completamente doutrinados para o seu papel no sexismo, protegendo seu privilégio masculino por conspirar com a perpetuação do sexismo.
Mas há uma segunda consequência lógica – as mesmas mensagens também ficarão com as meninas e as mulheres, resultando neste sexismo  internalizado. Mulheres e meninas são ensinadas a agir conforme estas mentiras e estereótipos, duvidando de si mesmas e permitindo que este sistema sexista se perpetue.
Para que o sistema sexista seja mantido e passado para a próxima geração, todos nós devemos acreditar nas mensagens (mentiras e estereótipos) em algum grau, e conspirar com sexismo através da realização de nossos papéis atribuídos.  Para quebrar com esta base sistemática precisamos nos livrar destes estereótipos de gênero, impedir que os mesmos sejam reproduzidos e garantir assim que o suposto direito adquirido a violência e a opressão seja parcialmente anulado.
Neste final de semana a ONU lançou nos estádios de futebol a iniciativa O Valente não é Violento, que faz parte da campanha do Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, UNA-SE Pelo Fim da Violência Contra as Mulheres, é coordenada pela ONU Mulheres e conta com o apoio da Secretaria de Políticas para as Mulheres, da Presidência da República. Para marcar o lançamento da iniciativa, seis times de futebol entraram em campo, nos jogos da última rodada do Campeonato Brasileiro, levando faixas com os dizeres: O Valente Não É Violento Com As Mulheres. Entre eles, Vasco e Atlético Paranaense.
Não preciso nem dizer que a mensagem não foi assimilada por completo por quem estava nas arquibancadas de Vasco X Atlético Paranaense. Por uma hora e meia homens se digladiaram brutalmente para defender sua honra, seu ponto de vista.
O  objetivo desta iniciativa é estimular a mudança de atitudes e comportamentos machistas, enfatizando a responsabilidade que os homens devem assumir na eliminação da violência contra as mulheres e meninas, e deste modo possibilitar a juventude da América Latina e do Caribe uma vida livre da violência de gênero.
imagens da campanha "O Valente não é Violento"
Violência e opressão nada tem a ver com masculinidade, virilidade, valentia ou coragem.  Ainda é preciso avançar muito neste aspecto.
Dividir as responsabilidades num lar não te torna mais fraco, intimidar uma mulher não fará com que ela o ame, bater nos seus filhos não fará com que eles o respeitem e violência psicológica fere tanto quanto um soco ou as vezes um tiro.
Que esta campanha atinja mais homens, que nossos meninos possam crescer com outros conceitos e que mais mulheres consigam brigar contra os estereótipos que trazemos sobre nossos ombros.
Hoje é 10 de dezembro de 2013, Dia Internacional dos Direitos Humanos e último dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres convocada pela ONU. Eu ainda estou no caminho , ainda vou amar muito, me apaixonar inúmeras outras vezes. Abraçada por outras mulheres em luta descobri que lugar de mulher é onde ela quiser. Aprendi recentemente que é preciso amar sem posse, aprendi (não tão recentemente) que eu sei e que eu posso trocar pneu, abrir pote, dormir com quem e quantos eu desejar, beber até cair, reformar uma casa e colocar azulejo, criar meu filho muito bem, estar sozinha, aprendi a responder na mesma altura, aprendi a me defender, aprendi que violência também se disfarça de outros nomes e precisa ser denunciada e combatida sempre e que nenhum estereótipo pode me deter pois já não sou mais regrada por eles.

* Este post faz parte da blogagem coletiva convocada pela ONU Mulheres para marcar o  Dia Internacional dos Direitos Humanos e o último dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

OUTUBRO ROSA PARA TODAS, ACESSO DESIGUAL ENTRE MULHERES NEGRAS E BRANCAS AOS EXAMES DE MAMA.

Por Emanuelle Goes*

Outubro Rosa, mês de mobilização pelo acesso das mulheres aos exames de mama, que estão incluídos o clinico das mamas e a mamografia, no entanto a realização destas exames é precário para todas as mulheres no Pais, sendo que as mulheres negras do norte- nordeste são as que mais sofrem com essa impacto.
De acordo com o IBGE a Pesquisa Nacional de Amostra por Domicilio - Suplemento saúde (2008) apresentou esse quadro de desigualdades. Podemos observar nas figuras abaixo como o processo das desigualdades raciais no acesso aos serviços de saúde permanece em todas as regiões do País. As figuras revelam as mulheres que nunca realizaram o exame clinico das mamas e a mamografia. E são as mulheres pretas e pardas do norte e nordeste que tem o maior percentual das que nunca realizaram tanto o clínico, quanto a mamografia.




O fato de, até o presente, não se dispor de meios de prevenção primária para o câncer implica em que as medidas de diagnóstico precoce ou da prevenção secundária assumam grande importância no controle da doença, com repercussão na diminuição das taxas de mortalidade. Tais medidas são aplicáveis nos casos das neoplasias cujos processos de desenvolvimento são devidamente conhecidos e para as quais haja disponibilidade de exames relativamente simples, de baixo custo e pouco ou nada invasivos, dentre outras características.
A alta taxa de mortalidade de mulheres por câncer da mama constitui-se em problema de saúde pública, exigindo do Estado medidas efetivas de redução dessas mortes. Nesse sentido, , em 2004, o Ministério da Saúde definiu, dentre outras estratégias, a utilização do exame clínico das mamas e da mamografia, como meios de controle do câncer das mamas.
A adoção dessas duas medidas foi pactuada entre Instituto Nacional de Câncer e a Área Técnica da Saúde da Mulher, Sociedade Brasileira de Mastologia, além de contar com a participação de pessoal de diferentes áreas do Ministério - gestores, pesquisadores e pesquisadoras e representantes de Sociedades Científicas afins e de entidades de defesa dos direitos da mulher (Brasil, 2004).
Só para recordamos, o exame clínico das mamas deve ser realizado, obrigatoriamente, todos os anos em mulheres de 40 a 49 anos, no entanto, ao realizar o exame físico, os/as profissionais de saúde, especificamente médico/a e enfermeira/o devem fazer como o cuidado integral a mulher. Já as mulheres pertencentes a grupos populacionais com risco elevado de desenvolver câncer de mama devem fazer exame clínico e mamografia anual a partir dos 35 anos. Para rastreamento, a recomendação é a realização de mamografia na faixa de 50 a 69 anos, com intervalo de até dois anos.
Referencias:
BRASIL, Ministério da Saúde. Controle do câncer de mama: documento de consenso. Brasília, 2004.
_____. Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher: Princípios e diretrizes. Brasília, 2004.
*Blogueira, faz parte do Odara - Instituto da Mulher Negra, Mestra em Enfermagem/UFBA


Fonte: População Negra e Saúde E http://www.geledes.org.br/



sábado, 10 de agosto de 2013

Não Nasci Pra Ser Bonita: A Autoestima Da Mulher Negra

Thaís Vieira

Quando tinha 13 anos de idade, fui ao clínico geral para fazer uma consulta de rotina. Estava  com o uniforme da escola e tranças,-  toda feliz pois tinha aprendido a fazer tranças aquele dia - entrei na sala junto com a minha mãe (que é negra também). O médico era branco e logo quando entrei ele já me mediu da cabeça aos pés. Me examinou e tudo mais. E antes de eu sair da sala, me deu recado:
“Como você sai de casa desse jeito, com esse cabelo, com essas tranças malfeitas, não passa um batom, não usa brincos? As meninas da sua idade não são assim, elas se vestem bem, são melhores. Como quer conseguir um namorado desse jeito?”
Depois de escutar tudo isso eu não consegui falar mais nada, minha mãe concordava com tudo o que o médico dizia, o que me deixou mais triste. Quando cheguei em casa, eu chorei. No dia que estava me sentindo bonita, aquele médico tinha me arrasado com todas aquelas palavras.
Além de ele cagar regras na minha aparência, estava me comparando com as meninas da minha idade, da escola, mas essas meninas não usavam tranças, não tinham cabelo crespo, essas meninas não eram NEGRAS. Desde criança minha beleza sempre foi comparada a de uma menina branca. Na listinha das meninas mais bonitas da sala meu nome nem estava lá.  Quando as tias da escolinha penteavam meu cabelo, eu só escutava comentários como “cabelo duro”, “cabelo ruim”. Nas brincadeirinhas sempre alguém me apelidava de MACACA ou chamava meu pai de ORANGOTANGO.
E assim fui crescendo sem autoestima nenhuma. Quantas vezes minha mãe alisava o meu cabelo para ver se as coisas melhoravam? Quantas vezes me achei a menina mais  feia? E quantas vezes chorava por não ser o padrão de menina bonita que os meninos tanto desejavam, que por coincidência era branca e tinha cabelos lisos?
Agora com 16 anos percebo que aquele médico racista após me dizer tudo aquilo não entende nada de autoestima. Diante de todas as dificuldades que nós mulheres negras temos que enfrentar, nos aceitar como somos, gostar de nós mesmas é uma questão importante, isso sim é autoestima.Tenho orgulho de ser negra, ter “cabelo duro” e andar do jeito que eu quiser.
E mulheres negras: não deixem que o racismo e o machismo nos abale, somos lindas, somos negras. E 
devemos nos orgulhar disso.


domingo, 21 de julho de 2013

UMA EM CADA TRÊS MULHERES JÁ SOFREU VIOLÊNCIA DOMÉSTICA NO MUNDO. DESCUBRA OS PIORES LUGARES

Mais de um terço de todas as mulheres do mundo é vítima de violência física ou sexual, o que representa um problema de saúde global com proporções epidêmicas, disse um relatório da OMS (Organização Mundial da Saúde) nesta quinta-feira (20).

A grande maioria das mulheres sofrem agressões e abusos de seus maridos ou namorados, e sofrem problemas de saúde comuns que incluem ossos quebrados, contusões, complicações na gravidez, depressão e outras doenças mentais, diz o relatório.

A pesquisa, uma coautoria de Watts e Claudia Garcia-Moreno, da OMS, concluiu ainda que 38% de todas as mulheres vítimas de homicídio foram assassinadas por seus parceiros, e 42% das mulheres que foram vítimas de violência física ou sexual por parte de um parceiro carregam lesões como consequência.

Saiba mais a seguir.

O relatório constatou que a violência contra as mulheres é uma das causas para uma variedade de problemas de saúde agudos e crônicos, que vão desde lesões imediatas, infecções sexualmente transmissíveis, como HIV, à depressão e transtornos de saúde mental.

A OMS está emitindo orientações para os profissionais de saúde sobre como ajudar as mulheres que sofrem violência doméstica ou sexual. A organização salienta a importância em treinar os profissionais de saúde para reconhecer quando as mulheres podem estar em risco de ser agredida pelo parceiro e saber como agir. 
Descubra quais os países onde esse tipo de agressão é mais comum.

O estudo apresenta dados separados por região. No sudeste da Ásia, por exemplo, 37,7% dos ataques são cometidos pelos próprios parceiros. Isso acontece em países como Bangladesh, Timor-Leste, Índia, Mianmar, Sri Lanka e Tailândia.

Quando se discutem ataques cometidos por homens sem nenhuma relação íntima com suas vítimas, esse número sobe para 40%.

No Egito, Irã, Iraque, Jordânia e Palestina, 37% das mulheres sofrem algum tipo de violência por parte de seus parceiros.

Em países da África, o número é um pouco mais baixo, mas ainda assim alarmante: 36% das vítimas são atacadas pelos parceiros no Congo, Uganda, Namíbia, Botsuana, Camarões, Etiópia, Quênia, Lesoto, Libéria, Malawi, Moçambique, Ruanda, África do Sul, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbábue.

No caso de agressões cometidas por alguém sem nenhuma relação com a vítima, o número cresce para 45,6.


Analisando os casos cometidos por homens sem nenhuma relação íntima com a vítima e aqueles cometidos pelos parceiros contra mulheres acima de 15 anos, também chegamos a números assustadores.

Na Europa e no Pacífico Ocidental, os números caem ligeiramente, com 27% e 28%, respectivamente. Os dados incluem países como França, Finlândia, Grécia, Rússia, Austrália, China, Filipinas e Nova Zelândia.

Mesmo países desenvolvidos e considerados ricos aparecem na pesquisa, totalizando um total de 32,7% de casos.

Em um comunicado que acompanha o relatório, a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, disse que a violência causa problemas de saúde com "proporções epidêmicas".

— Os sistemas de saúde do mundo podem e devem fazer mais pelas mulheres que sofrem violência.


FonteR7
Retirado do site:http://www.geledes.org.br 

sábado, 27 de abril de 2013

A vulnerabilidade e a força das mulheres negras


Autor(es): Eleonora Menicucci


Ministra de Estado Chefe da Secretaria de Políticas para as Mulheres
Basta um mínimo de sensibilidade para perceber que ser mulher no Brasil exige lutar o tempo todo, desde pelo direito à vida própria (autonomia) até o direito à própria vida (no enfrentamento à violência). Se a mulher for negra, essa exigência chegará ao absurdo. Isso, apesar do espaço conquistado por meio das lutas históricas das mulheres em geral, e das negras em particular. Lutas que conseguiram se traduzir em políticas públicas; aliás, razão de ser da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM): enfrentamento à violência, acesso a trabalho e renda, à educação e saúde e de empoderamento político.
Mas como a vulnerabilidade é mais aguda para as negras? Uma leitura das estatísticas, somada à escuta de narrativas delas, abre uma fresta para o entendimento dessa realidade.
As mulheres são mais da metade da nossa população (51,5%, ou 100,5 milhões). As negras são metade das brasileiras: 50,2 milhões (Pnad/IBGE, 2011). Além do peso do estigma sexista, elas, as mulheres negras, suportam sozinhas o peso da herança escravista. E a desigualdade trazida pelo sexismo é mais desigual ainda para com as negras. Por exemplo, no trabalho. Se para as mulheres em geral, a dedicação desigual às tarefas domésticas e aos cuidados com filhos e idosos dificulta seu ingresso e ascensão no mercado, para as negras essas barreiras tornam-se verdadeiros pedágios sociais.
Esses, se conseguido o acesso, geram diferença de ganho. Se as mulheres em sua grande maioria ganham menos do que os homens, e os negros também no geral ganham menos do que os brancos, essas duas condicionantes enfeixam-se perversamente nas negras e derrubam mais ainda os seus rendimentos. Para a sociedade, consideradas as mesmas funções, é "natural" que uma negra ganhe 30% menos do que uma branca.
Acrescente-se que o mapa do país tem gradação de cor, determinada pela pobreza. Há mais negras nas regiões mais pobres: no Nordeste, 68,9% delas são negras; no Norte, 73,4%; no Centro-Oeste, 54,5%; no Sudeste, 42,1%; e no Sul, 20%.
É por tudo isso que, além das políticas públicas voltadas às mulheres, a SPM alinha todas as suas ações ao combate ao racismo. Uma dessas iniciativas terá seu ponto alto na terça-feira, quando se homenagearão as vencedoras do Prêmio Mulheres Negras Contam sua História.
O prêmio contempla relatos das negras e as tira do anonimato para assim reposicioná-las como sujeitos na construção da história do Brasil. Com isso, permite ao país conhecer (e se reconhecer num) um acervo de narrativas preciosas pelos dramas, pela coragem e pelas atitudes.
Cito três exemplos, dos 520 redações e ensaios inscritos:
— Uma menina foge da guerra em Angola, exila-se em Portugal e finalmente chega ao Brasil. Na dura vida de empregada doméstica no Paraná, sua moeda de troca com os patrões é o estudo. Ele será sua porta de saída para o escritório, isso, depois de fugir para Cuiabá. Já em Brasília, cursa jornalismo, contata a Embaixada de Angola e revê sua família. Hoje, essa angolana-brasileira é repórter da TV Angolana.
— Menina da periferia paulistana sonha com a USP — isso, antes das políticas afirmativas do governo Lula. Essa narrativa, em forma de ensaio, compara o antes e o depois dessas políticas para a população negra. No antes, as tentativas de entrar na USP, os cursinhos comunitários, a alimentação à base de pão e iogurte barato. Finalmente, enfermagem. Mas ali, de negros, só estudantes — e, mesmo assim, apenas 10%.
— O bullying marca o relato de uma pernambucana filha de famoso militante e poeta. Já no Rio, na mistura de militância e poesia do duro dia a dia, ela teve de conviver com o apelido dado a quem estudava na sua escola. Com o lanche ali resumido a mate e angu, viram-se todos e todas ainda por cima cruelmente carimbados de "mate com angu".
É essa realidade, contada pela voz forte dessas mulheres e pelos números, que cabe a todos mudarmos. O que já foi conquistado, pela sociedade e pelo governo, deve ser cada vez mais consolidado — e como marca de compromisso, para banir de vez o preconceito racial. Por fim, lembro que o enfrentamento cotidiano à violência e aos preconceitos em nosso país tem três faces inseparáveis: gênero, raça e classe social — mulheres, negras e pobres, na grande maioria. Só será possível erradicá-los por meio de uma mudança de valores e comportamentos na sociedade, para que ela se torne mais justa, baseada no respeito, na autonomia e na igualdade entre homens e mulheres.


Fonte: Clipping
http://www.geledes.org.br/areas-de-atuacao/questoes-de-genero/265-generos-em-noticias/18254-a-vulnerabilidade-e-a-forca-das-mulheres-negras

sábado, 20 de abril de 2013

A Fragmentação da Mulher



por Beatriz Torres | 25/02/2013
A Autonomia da Decisão 
No último século nós mulheres conquistamos nossa liberdade, autonomia e direitos específicos. Somos belas, guerreiras, inteligentes, modernas e sentimentais. Tornamo-nos mulheres biônicas, queremos cuidar de tudo e de todos. A feminilidade ainda carrega o estigma da fragilidade, algumas querem manter isto, ou não, entretanto cada vez mais mulheres sofrem por não saber o que fazer com tudo que conquistaram. Assumimos vários papéis. Nos dividimos em filhas, mães, esposas, companheiras, profissionais e chefes de família. No momento em que é preciso escolher qual papel é o mais importante a se desempenhar, inicia-se a fragmentação da identidade, do eu, da personalidade – Porque somos “livres” ou porque somos expostas a influências externas em que os comportamentos tendem à padronização. Hoje há respostas para tudo, soluções para tudo. Se não estamos satisfeitas com o corpo, com o conhecimento adquirido, com o relacionamento afetivo, sexual ou profissional, tudo têm jeito, tudo pode ser mudado ou consumido. Cria-se uma felicidade adquirida sobre os anseios de satisfação ao modo de vida, as possibilidade de sentirmos alegria, contentamento e prazer, ainda que tais aspirações nem sempre sejam plenas por si, mas efêmeras e artificiais, já que a utopia da vida feliz não exclui os contratempos, tristezas, desventuras e desencontros.
Essa vivência do pós-moderno implica escolhas que dificilmente promovem a satisfação total, como no caso (não tão hipotético) “escolher entre ir ao cinema visitar o Lázaro Ramos e o Brad Pitt ou terminar o relatório para a reunião de segunda-feira”, o velho impasse dos “prazeres ou afazeres” – Fazer escolhas sempre nos deixa insatisfeitos de uma forma ou outra, seja pela condenação a liberdade de Sartre ou porque simplesmente nossos desejos não são compatíveis com as convenções do cotidiano.
A autonomia da decisão é o que nos permite traçar nosso próprio projeto de vida. Isto é, refletir sobre nossas experiências pessoais, nossos sonhos e anseios: Ser consciente sobre o que realmente dá sentido a nossas escolhas. Tal como o filósofo francês Robert Misrahi em seu ensaio sobre “a experiência do ser”:
“Nessa experiência, o sujeito não é mais fragmentado ou dispersado entre diversas personalidades (que opõem, por exemplo, a vida profissional e a criação, a atividade estética, a relação burocrática e a relação autenticamente pessoal). Ele se encontra, ao contrário, unificado, ao mesmo tempo em que unifica essas diversas atividades por seu propósito existencial principal.
[...] É esse prazer existencial e consciente de ser e de existir como sujeito e como vida que chamamos de alegria.”
Somos mulheres, não podemos nos deixar fragmentar diante das atribuições que assumimos. Somos inteiras, complexas, inacabadas. Temos desejos, fazemos escolhas, acertamos e erramos, e são com nossas experiências que nos tornamos únicas.


"FOLI" não há movimento sem ritmo versão original por Thomas roebers e Floris Leeuwenberg

domingo, 16 de dezembro de 2012

Essa é a historia da Miryam ... Uma mulher preta que corajosamente resolveu compartilhar sua historia para que outras pretas possam entender como a racismo pode nos afetar. Muito obrigada por partilhar sua historia com a gente Miryam.


Olá preta, sou uma mulher negra e numa pesquisa sobre casais multirraciais encontrei o teu site, que estou a explorar agora mesmo. Quero antes de tudo dar-te os parabéns pelo blog e dizer que realmente gostei bastante das matérias, dos poemas, das reflexões e dos comments... Transmitem realmente aquilo que é a nossa vida, o nosso quotidiano em que nós, mulheres negras, lutamos constantemente para provar o nosso valor e ser reconhecidas, o que mostra que somos mulheres de garra e muito determinadas.
Tenho formas redondas, ancas largas, enfim, sou a típica mulher africana com tudo o que isso inclui em termos físicos, e acho que os homens só se interessam por mim pelo meu corpo, querem passar um bom bocado, querem ter prazer momentâneo comigo e se divertir, a primeira coisa que lhes vêm à cabeça são pensamentos lascivos. Sou abordada muitas vezes na rua, carros a buzinar, velhos e novos já me ofereceram dinheiro muitas vezes. Foi difícil quando me apercebi disso, queria ser normal e me perguntava: será que não sou uma rapariga interessante, será que o que conta realmente é só o meu corpo?  Às vezes sentia-me mal com o tamanho do meu bumbum, achava-o demasiado grande. Outras vezes desejava ter um seio mais pequeno.
Hoje em dia, com 22 anos e mais madura, sou mais confiante. Aprendi a gostar cada dia mais do meu corpo e a tirar partido dele, pois aquilo que Deus me deu de forma natural é o que outras mulheres pagam para ter. Faço step, workout e lifting e ginásio, uso roupas para exibir aquilo que tenho de bonito em mim. Me orgulho dos meus lábios grossos, da minha pele escura e do meu cabelo crespo. Sou gostosa mesmo, e daí? 
O meu valor não se limita a isso, e acho que cabe a cada uma de nós provar que a nossa cor de pele não define o que nós somos, há antes de tudo uma mulher dentro de nós que é isso mesmo, uma mulher, que merece ser amada e respeitada. Aprendi isso com o meu namorado e futuro marido, que me valoriza por aquilo que sou e me faz sentir a mulher mais amada do mundo, mesmo sendo uma relação à distancia (ele é polaco e eu vivo na França).
Não me canso de dizer que ninguém é melhor que ninguém e que não é por sermos negras que somos inferiores ou incapazes, mas a sociedade está assim estruturada e infelizmente é o que ela transmite. Mas não cruzem as mãos, não se conformem, não se submetam!!! Invistam na vossa formação e educação, refinem-se, maquilhem-se, sintam-se a vontade para entrar em qualquer loja de luxo e ver as novidades, acreditem que podem conquistar qualquer homem, que podem frequentar qualquer ambiente, e vir a ser o que bem entenderem neste mundo. Basta acreditar e fazer por isso! È o que eu tenho feito e vou continuar a fazer! 
Cheers from France,
Miryam

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

IMPORTANTE!!!


Olá pessoal!
Recebi um e-mail muito legal e eu achei interessante posta-lo, compartilhando com todos que contribuem com esse blog e também solicitar a opinião de vocês.

Olá,
Meu nome é Glenda Cristina Valim de Melo, sou pós-doutoranda em Linguística Aplicada, pela UFRJ, sob a supervisão do prof. Dr Luiz Paulo da Moita Lopes. Disponibilizo aqui os nossos currículos lattes para você ver quem somos: http://lattes.cnpq.br/6215257502502767 e http://lattes.cnpq.br/9443575304118422. Trabalho com o tema mulher negra, performances identitárias e teorias queer. È uma proposta de olhar o negro perpassando por gênero, sexualidade, raça, classe social e nível de escolaridade. Olhar estas categorias entrelaçadas e considerar as pessoas como sujeitos em eterna construção e em conflitos, mas que conseguem pela sua ação mudar sua realidade, mesmo que seja pouco.
Estava pesquisando blogs e encontrei o seu. Achei super legal, assuntos muitos interessantes e que fazem parte do cotidiano da mulher negra. Você esta de parabéns. Tenho acompanhado os textos, os comentários. Percebo que você aborda temas importantes para a sociedade e gostaria de analisar ALGUNS textos de seu blog. Você me autorizaria a analisá-los? 
Como é de costume nas pesquisas científicas e éticas, os nomes, as fotos ou qualquer indicação que identifique os participantes serão omitidos e/ou trocados. Comprometo-me a disponibilizar as revistas científicas em que os artigos oriundos desse estudo forem publicado. Penso que no mundo acadêmico, há muitas pesquisas sobre o povo negro, mas poucas são as que dão voz ao negro no espaço digital... E mostram a importância das diversas discussões que ocorrem neste espaço.

Muito obrigada e fico no aguardo de uma resposta!

Glenda Melo!

domingo, 23 de setembro de 2012

CONVITE

Parece que foi ontem que eu criei esse blog. De inicio um espaço onde pudesse expor minhas experiências, pensamentos e devaneios... O tempo passou e o que era particular virou coletivo... Descobri que existem tantas outras mulheres da pele preta que partilham da mesma dor, vivenciam os mesmos preconceitos e lutam pelos mesmos ideais. E como é bom perceber que não estou sozinha, que tantas outras, cada qual do seu jeito, gritam por seus direitos. Hoje o que era de Uma virou de Varias... Depoimentos, trocas de experiências, gritos... Companheiras unidas contra o racismo, o machismo e o sexismo que tanto nos oprime... E eis que em meio a esse coletivo de mulheres surgem companheiros que somam na nossa luta. Homens sensíveis a nossas dores, conscientes da necessidade de uma mudança, nos apoiando e contribuindo para por fim ao ciclo de violência e opressão que nos permeiam. Esse blog tomou uma dimensão que jamais imaginei e ao entrar nele e me deparar com tantos comentários percebo, muito feliz, que ele já não é meu... Já não é mais Eu, Mulher Preta... Assim como acontece com os filhos ele cresceu e virou do mundo. Hoje quando o leio o entendo como Nós, Mulheres Pretas! É por isso que resolvi postar esse texto convidando a todos e todas que tanto compartilham com ele a contribuírem com ele, como colunistas. Sei que a ideia é ousada, mas resolvi tentar. A ideia é transformar esse blog em uma rede de informações, onde cada um que se dispusesse a fazer parte dele escrevesse sobre o que mais se identifica e dessa forma pudéssemos montar um coletivo... Varias pessoas dispostas a lutar através da escrita. Então aqui fica o convite e quem tiver a fim de participar desse projeto, um tanto quanto desafiador, mande um e-mail para preta_dss@hotmail.com. Todos e Todas de qualquer lugar estão convidados. E desde já agradeço as muitas e muitos que seguem este blog.
Obrigada

Preta.