domingo, 21 de julho de 2013

UMA EM CADA TRÊS MULHERES JÁ SOFREU VIOLÊNCIA DOMÉSTICA NO MUNDO. DESCUBRA OS PIORES LUGARES

Mais de um terço de todas as mulheres do mundo é vítima de violência física ou sexual, o que representa um problema de saúde global com proporções epidêmicas, disse um relatório da OMS (Organização Mundial da Saúde) nesta quinta-feira (20).

A grande maioria das mulheres sofrem agressões e abusos de seus maridos ou namorados, e sofrem problemas de saúde comuns que incluem ossos quebrados, contusões, complicações na gravidez, depressão e outras doenças mentais, diz o relatório.

A pesquisa, uma coautoria de Watts e Claudia Garcia-Moreno, da OMS, concluiu ainda que 38% de todas as mulheres vítimas de homicídio foram assassinadas por seus parceiros, e 42% das mulheres que foram vítimas de violência física ou sexual por parte de um parceiro carregam lesões como consequência.

Saiba mais a seguir.

O relatório constatou que a violência contra as mulheres é uma das causas para uma variedade de problemas de saúde agudos e crônicos, que vão desde lesões imediatas, infecções sexualmente transmissíveis, como HIV, à depressão e transtornos de saúde mental.

A OMS está emitindo orientações para os profissionais de saúde sobre como ajudar as mulheres que sofrem violência doméstica ou sexual. A organização salienta a importância em treinar os profissionais de saúde para reconhecer quando as mulheres podem estar em risco de ser agredida pelo parceiro e saber como agir. 
Descubra quais os países onde esse tipo de agressão é mais comum.

O estudo apresenta dados separados por região. No sudeste da Ásia, por exemplo, 37,7% dos ataques são cometidos pelos próprios parceiros. Isso acontece em países como Bangladesh, Timor-Leste, Índia, Mianmar, Sri Lanka e Tailândia.

Quando se discutem ataques cometidos por homens sem nenhuma relação íntima com suas vítimas, esse número sobe para 40%.

No Egito, Irã, Iraque, Jordânia e Palestina, 37% das mulheres sofrem algum tipo de violência por parte de seus parceiros.

Em países da África, o número é um pouco mais baixo, mas ainda assim alarmante: 36% das vítimas são atacadas pelos parceiros no Congo, Uganda, Namíbia, Botsuana, Camarões, Etiópia, Quênia, Lesoto, Libéria, Malawi, Moçambique, Ruanda, África do Sul, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbábue.

No caso de agressões cometidas por alguém sem nenhuma relação com a vítima, o número cresce para 45,6.


Analisando os casos cometidos por homens sem nenhuma relação íntima com a vítima e aqueles cometidos pelos parceiros contra mulheres acima de 15 anos, também chegamos a números assustadores.

Na Europa e no Pacífico Ocidental, os números caem ligeiramente, com 27% e 28%, respectivamente. Os dados incluem países como França, Finlândia, Grécia, Rússia, Austrália, China, Filipinas e Nova Zelândia.

Mesmo países desenvolvidos e considerados ricos aparecem na pesquisa, totalizando um total de 32,7% de casos.

Em um comunicado que acompanha o relatório, a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, disse que a violência causa problemas de saúde com "proporções epidêmicas".

— Os sistemas de saúde do mundo podem e devem fazer mais pelas mulheres que sofrem violência.


Fonte: R7
Retirado do site:http://www.geledes.org.br 

sábado, 27 de abril de 2013

A vulnerabilidade e a força das mulheres negras


Autor(es): Eleonora Menicucci


Ministra de Estado Chefe da Secretaria de Políticas para as Mulheres
Basta um mínimo de sensibilidade para perceber que ser mulher no Brasil exige lutar o tempo todo, desde pelo direito à vida própria (autonomia) até o direito à própria vida (no enfrentamento à violência). Se a mulher for negra, essa exigência chegará ao absurdo. Isso, apesar do espaço conquistado por meio das lutas históricas das mulheres em geral, e das negras em particular. Lutas que conseguiram se traduzir em políticas públicas; aliás, razão de ser da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM): enfrentamento à violência, acesso a trabalho e renda, à educação e saúde e de empoderamento político.
Mas como a vulnerabilidade é mais aguda para as negras? Uma leitura das estatísticas, somada à escuta de narrativas delas, abre uma fresta para o entendimento dessa realidade.
As mulheres são mais da metade da nossa população (51,5%, ou 100,5 milhões). As negras são metade das brasileiras: 50,2 milhões (Pnad/IBGE, 2011). Além do peso do estigma sexista, elas, as mulheres negras, suportam sozinhas o peso da herança escravista. E a desigualdade trazida pelo sexismo é mais desigual ainda para com as negras. Por exemplo, no trabalho. Se para as mulheres em geral, a dedicação desigual às tarefas domésticas e aos cuidados com filhos e idosos dificulta seu ingresso e ascensão no mercado, para as negras essas barreiras tornam-se verdadeiros pedágios sociais.
Esses, se conseguido o acesso, geram diferença de ganho. Se as mulheres em sua grande maioria ganham menos do que os homens, e os negros também no geral ganham menos do que os brancos, essas duas condicionantes enfeixam-se perversamente nas negras e derrubam mais ainda os seus rendimentos. Para a sociedade, consideradas as mesmas funções, é "natural" que uma negra ganhe 30% menos do que uma branca.
Acrescente-se que o mapa do país tem gradação de cor, determinada pela pobreza. Há mais negras nas regiões mais pobres: no Nordeste, 68,9% delas são negras; no Norte, 73,4%; no Centro-Oeste, 54,5%; no Sudeste, 42,1%; e no Sul, 20%.
É por tudo isso que, além das políticas públicas voltadas às mulheres, a SPM alinha todas as suas ações ao combate ao racismo. Uma dessas iniciativas terá seu ponto alto na terça-feira, quando se homenagearão as vencedoras do Prêmio Mulheres Negras Contam sua História.
O prêmio contempla relatos das negras e as tira do anonimato para assim reposicioná-las como sujeitos na construção da história do Brasil. Com isso, permite ao país conhecer (e se reconhecer num) um acervo de narrativas preciosas pelos dramas, pela coragem e pelas atitudes.
Cito três exemplos, dos 520 redações e ensaios inscritos:
— Uma menina foge da guerra em Angola, exila-se em Portugal e finalmente chega ao Brasil. Na dura vida de empregada doméstica no Paraná, sua moeda de troca com os patrões é o estudo. Ele será sua porta de saída para o escritório, isso, depois de fugir para Cuiabá. Já em Brasília, cursa jornalismo, contata a Embaixada de Angola e revê sua família. Hoje, essa angolana-brasileira é repórter da TV Angolana.
— Menina da periferia paulistana sonha com a USP — isso, antes das políticas afirmativas do governo Lula. Essa narrativa, em forma de ensaio, compara o antes e o depois dessas políticas para a população negra. No antes, as tentativas de entrar na USP, os cursinhos comunitários, a alimentação à base de pão e iogurte barato. Finalmente, enfermagem. Mas ali, de negros, só estudantes — e, mesmo assim, apenas 10%.
— O bullying marca o relato de uma pernambucana filha de famoso militante e poeta. Já no Rio, na mistura de militância e poesia do duro dia a dia, ela teve de conviver com o apelido dado a quem estudava na sua escola. Com o lanche ali resumido a mate e angu, viram-se todos e todas ainda por cima cruelmente carimbados de "mate com angu".
É essa realidade, contada pela voz forte dessas mulheres e pelos números, que cabe a todos mudarmos. O que já foi conquistado, pela sociedade e pelo governo, deve ser cada vez mais consolidado — e como marca de compromisso, para banir de vez o preconceito racial. Por fim, lembro que o enfrentamento cotidiano à violência e aos preconceitos em nosso país tem três faces inseparáveis: gênero, raça e classe social — mulheres, negras e pobres, na grande maioria. Só será possível erradicá-los por meio de uma mudança de valores e comportamentos na sociedade, para que ela se torne mais justa, baseada no respeito, na autonomia e na igualdade entre homens e mulheres.


Fonte: Clipping
http://www.geledes.org.br/areas-de-atuacao/questoes-de-genero/265-generos-em-noticias/18254-a-vulnerabilidade-e-a-forca-das-mulheres-negras

sábado, 20 de abril de 2013

A Fragmentação da Mulher



por Beatriz Torres | 25/02/2013
A Autonomia da Decisão 
No último século nós mulheres conquistamos nossa liberdade, autonomia e direitos específicos. Somos belas, guerreiras, inteligentes, modernas e sentimentais. Tornamo-nos mulheres biônicas, queremos cuidar de tudo e de todos. A feminilidade ainda carrega o estigma da fragilidade, algumas querem manter isto, ou não, entretanto cada vez mais mulheres sofrem por não saber o que fazer com tudo que conquistaram. Assumimos vários papéis. Nos dividimos em filhas, mães, esposas, companheiras, profissionais e chefes de família. No momento em que é preciso escolher qual papel é o mais importante a se desempenhar, inicia-se a fragmentação da identidade, do eu, da personalidade – Porque somos “livres” ou porque somos expostas a influências externas em que os comportamentos tendem à padronização. Hoje há respostas para tudo, soluções para tudo. Se não estamos satisfeitas com o corpo, com o conhecimento adquirido, com o relacionamento afetivo, sexual ou profissional, tudo têm jeito, tudo pode ser mudado ou consumido. Cria-se uma felicidade adquirida sobre os anseios de satisfação ao modo de vida, as possibilidade de sentirmos alegria, contentamento e prazer, ainda que tais aspirações nem sempre sejam plenas por si, mas efêmeras e artificiais, já que a utopia da vida feliz não exclui os contratempos, tristezas, desventuras e desencontros.
Essa vivência do pós-moderno implica escolhas que dificilmente promovem a satisfação total, como no caso (não tão hipotético) “escolher entre ir ao cinema visitar o Lázaro Ramos e o Brad Pitt ou terminar o relatório para a reunião de segunda-feira”, o velho impasse dos “prazeres ou afazeres” – Fazer escolhas sempre nos deixa insatisfeitos de uma forma ou outra, seja pela condenação a liberdade de Sartre ou porque simplesmente nossos desejos não são compatíveis com as convenções do cotidiano.
A autonomia da decisão é o que nos permite traçar nosso próprio projeto de vida. Isto é, refletir sobre nossas experiências pessoais, nossos sonhos e anseios: Ser consciente sobre o que realmente dá sentido a nossas escolhas. Tal como o filósofo francês Robert Misrahi em seu ensaio sobre “a experiência do ser”:
“Nessa experiência, o sujeito não é mais fragmentado ou dispersado entre diversas personalidades (que opõem, por exemplo, a vida profissional e a criação, a atividade estética, a relação burocrática e a relação autenticamente pessoal). Ele se encontra, ao contrário, unificado, ao mesmo tempo em que unifica essas diversas atividades por seu propósito existencial principal.
[...] É esse prazer existencial e consciente de ser e de existir como sujeito e como vida que chamamos de alegria.”
Somos mulheres, não podemos nos deixar fragmentar diante das atribuições que assumimos. Somos inteiras, complexas, inacabadas. Temos desejos, fazemos escolhas, acertamos e erramos, e são com nossas experiências que nos tornamos únicas.


"FOLI" não há movimento sem ritmo versão original por Thomas roebers e Floris Leeuwenberg

domingo, 16 de dezembro de 2012

Essa é a historia da Miryam ... Uma mulher preta que corajosamente resolveu compartilhar sua historia para que outras pretas possam entender como a racismo pode nos afetar. Muito obrigada por partilhar sua historia com a gente Miryam.


Olá preta, sou uma mulher negra e numa pesquisa sobre casais multirraciais encontrei o teu site, que estou a explorar agora mesmo. Quero antes de tudo dar-te os parabéns pelo blog e dizer que realmente gostei bastante das matérias, dos poemas, das reflexões e dos comments... Transmitem realmente aquilo que é a nossa vida, o nosso quotidiano em que nós, mulheres negras, lutamos constantemente para provar o nosso valor e ser reconhecidas, o que mostra que somos mulheres de garra e muito determinadas.
Tenho formas redondas, ancas largas, enfim, sou a típica mulher africana com tudo o que isso inclui em termos físicos, e acho que os homens só se interessam por mim pelo meu corpo, querem passar um bom bocado, querem ter prazer momentâneo comigo e se divertir, a primeira coisa que lhes vêm à cabeça são pensamentos lascivos. Sou abordada muitas vezes na rua, carros a buzinar, velhos e novos já me ofereceram dinheiro muitas vezes. Foi difícil quando me apercebi disso, queria ser normal e me perguntava: será que não sou uma rapariga interessante, será que o que conta realmente é só o meu corpo?  Às vezes sentia-me mal com o tamanho do meu bumbum, achava-o demasiado grande. Outras vezes desejava ter um seio mais pequeno.
Hoje em dia, com 22 anos e mais madura, sou mais confiante. Aprendi a gostar cada dia mais do meu corpo e a tirar partido dele, pois aquilo que Deus me deu de forma natural é o que outras mulheres pagam para ter. Faço step, workout e lifting e ginásio, uso roupas para exibir aquilo que tenho de bonito em mim. Me orgulho dos meus lábios grossos, da minha pele escura e do meu cabelo crespo. Sou gostosa mesmo, e daí? 
O meu valor não se limita a isso, e acho que cabe a cada uma de nós provar que a nossa cor de pele não define o que nós somos, há antes de tudo uma mulher dentro de nós que é isso mesmo, uma mulher, que merece ser amada e respeitada. Aprendi isso com o meu namorado e futuro marido, que me valoriza por aquilo que sou e me faz sentir a mulher mais amada do mundo, mesmo sendo uma relação à distancia (ele é polaco e eu vivo na França).
Não me canso de dizer que ninguém é melhor que ninguém e que não é por sermos negras que somos inferiores ou incapazes, mas a sociedade está assim estruturada e infelizmente é o que ela transmite. Mas não cruzem as mãos, não se conformem, não se submetam!!! Invistam na vossa formação e educação, refinem-se, maquilhem-se, sintam-se a vontade para entrar em qualquer loja de luxo e ver as novidades, acreditem que podem conquistar qualquer homem, que podem frequentar qualquer ambiente, e vir a ser o que bem entenderem neste mundo. Basta acreditar e fazer por isso! È o que eu tenho feito e vou continuar a fazer! 
Cheers from France,
Miryam

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

IMPORTANTE!!!


Olá pessoal!
Recebi um e-mail muito legal e eu achei interessante posta-lo, compartilhando com todos que contribuem com esse blog e também solicitar a opinião de vocês.

Olá,
Meu nome é Glenda Cristina Valim de Melo, sou pós-doutoranda em Linguística Aplicada, pela UFRJ, sob a supervisão do prof. Dr Luiz Paulo da Moita Lopes. Disponibilizo aqui os nossos currículos lattes para você ver quem somos: http://lattes.cnpq.br/6215257502502767 e http://lattes.cnpq.br/9443575304118422. Trabalho com o tema mulher negra, performances identitárias e teorias queer. È uma proposta de olhar o negro perpassando por gênero, sexualidade, raça, classe social e nível de escolaridade. Olhar estas categorias entrelaçadas e considerar as pessoas como sujeitos em eterna construção e em conflitos, mas que conseguem pela sua ação mudar sua realidade, mesmo que seja pouco.
Estava pesquisando blogs e encontrei o seu. Achei super legal, assuntos muitos interessantes e que fazem parte do cotidiano da mulher negra. Você esta de parabéns. Tenho acompanhado os textos, os comentários. Percebo que você aborda temas importantes para a sociedade e gostaria de analisar ALGUNS textos de seu blog. Você me autorizaria a analisá-los? 
Como é de costume nas pesquisas científicas e éticas, os nomes, as fotos ou qualquer indicação que identifique os participantes serão omitidos e/ou trocados. Comprometo-me a disponibilizar as revistas científicas em que os artigos oriundos desse estudo forem publicado. Penso que no mundo acadêmico, há muitas pesquisas sobre o povo negro, mas poucas são as que dão voz ao negro no espaço digital... E mostram a importância das diversas discussões que ocorrem neste espaço.

Muito obrigada e fico no aguardo de uma resposta!

Glenda Melo!

domingo, 23 de setembro de 2012

CONVITE

Parece que foi ontem que eu criei esse blog. De inicio um espaço onde pudesse expor minhas experiências, pensamentos e devaneios... O tempo passou e o que era particular virou coletivo... Descobri que existem tantas outras mulheres da pele preta que partilham da mesma dor, vivenciam os mesmos preconceitos e lutam pelos mesmos ideais. E como é bom perceber que não estou sozinha, que tantas outras, cada qual do seu jeito, gritam por seus direitos. Hoje o que era de Uma virou de Varias... Depoimentos, trocas de experiências, gritos... Companheiras unidas contra o racismo, o machismo e o sexismo que tanto nos oprime... E eis que em meio a esse coletivo de mulheres surgem companheiros que somam na nossa luta. Homens sensíveis a nossas dores, conscientes da necessidade de uma mudança, nos apoiando e contribuindo para por fim ao ciclo de violência e opressão que nos permeiam. Esse blog tomou uma dimensão que jamais imaginei e ao entrar nele e me deparar com tantos comentários percebo, muito feliz, que ele já não é meu... Já não é mais Eu, Mulher Preta... Assim como acontece com os filhos ele cresceu e virou do mundo. Hoje quando o leio o entendo como Nós, Mulheres Pretas! É por isso que resolvi postar esse texto convidando a todos e todas que tanto compartilham com ele a contribuírem com ele, como colunistas. Sei que a ideia é ousada, mas resolvi tentar. A ideia é transformar esse blog em uma rede de informações, onde cada um que se dispusesse a fazer parte dele escrevesse sobre o que mais se identifica e dessa forma pudéssemos montar um coletivo... Varias pessoas dispostas a lutar através da escrita. Então aqui fica o convite e quem tiver a fim de participar desse projeto, um tanto quanto desafiador, mande um e-mail para preta_dss@hotmail.com. Todos e Todas de qualquer lugar estão convidados. E desde já agradeço as muitas e muitos que seguem este blog.
Obrigada

Preta. 

domingo, 24 de junho de 2012

RECADO ÁS MULHERES PRETAS!!


Mulheres pretas entendam: Não somos compostas de pernas e quadril, beleza exótica a serem provadas. Não somos objetos sexuais. Não nascemos para sermos amantes a viverem no anonimato. A exploração do nosso corpo não é algo natural da nossa existência e a violência domestica que nos atingem não faz parte da nossa essência. Não somos pedaços de carne barata. Nossa pele escura, nosso cabelo crespo, nosso quadril largo, nosso gingado não são motivo de vergonha. Somos mais que corpo... Somos inteligentes e merecemos sermos tratadas com respeito, valorizadas e amadas, expostas como joias raras ao sol. Devemos nos rebelar diante da exploração e da violência que nos cercam. Enxergarmos que nossa beleza vai muito além que o padrão europeu estereotipado, que são belas de corpo e alma, que falamos com nosso corpo e que é muito mais do que um pedaço de carne de cunho sexual.  Não devemos acreditar que a pobreza que nos cercam  é falta de capacidade, que nosso analfabetismo foi uma decisão pessoal, nossas mão calejadas e nosso olhar sempre triste uma opção, a morte dos nossos filhos e filhas fatalidades da vida, nossa condição de subemprego, sobrevivência, subsistência o que merecemos, a panela vazia, o barraco de madeira, a amargura diante dos filhos chorando um castigo divino, os pés descalços, as roupas rasgadas, o lenço na cabeça, a magreza e as mazelas do nosso corpo sinais de desleixo, a falta de perspectiva, a incapacidade de amar, o desgosto pela vida, a paralisação diante da vida a nossa rendição.

(Preta_dss)

domingo, 13 de maio de 2012

Ser Mãe!


MÃE SABE POR QUE EU GOSTO DE VOCÊ SER NEGRA?
PORQUE COMBINA COM A ESCURIDÃO. ENTÃO QUANDO É DE NOITE, EU NEM TENHO MEDO,
... TUDO É MÃE E TUDO É ESCURIDÃO.
(JULIANO GOMES DE OLIVEIRA)





Ainda não sei o que é ser mãe, por enquanto ser mãe para mim é ser Rosalina
A minha Rosa linda da pele preta
Dos olhos cor de caramelo doce
Das mãos suaves trançando seus sonhos em na minha cabeça.





quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Agradecimentos...

Olá!
Quando escrevi o texto a baixo fiz em forma de desabafo...Ele veio de feridas pessoais, historias compartilhadas de irmãs pretas que também passaram pelo que eu passei. Não imaginei que esse texto fosse gerar tantos comentários e tanta divulgação. Varias pessoas escreveram suas experiencias a cerca desse tema. Mulheres pretas de diferentes lugares, histórias ou classe sociais compartilhando da mesma ferida, expondo suas dores, mexendo em feridas, libertando-se da opressão causada pelo racismo e machismo e resgatando diariamente sua estima, enxergando-se como Mulheres Pretas e Lindas!!! Muitos homens pretos e brancos também compartilharam suas experiencias, escrevendo sobre seus medos, suas omissões (no que diz respeito a situação da mulher preta nessa sociedade), suas visões estereotipadas, ou até em alguns casos, assumindo seus pré conceitos existentes com relação a mulher preta.
Gostaria de agradecer a todos os comentários partilhando desse meu desabafo.
Quando decidi postar o texto no meu blog fiz questão de que ele tivesse um inicio, mas não um fim para que viesse a se transformar em um texto coletivo, de diferentes historias e opiniões. Sinto que ele vem alcançando esse proposto.
Muitos Obrigada a todos e a todas.
Preta

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

QUE HOMEM REALMENTE GOSTA DA MULHER PRETA NESSA SOCIEDADE!?

Este é um texto inacabado e a idéia é torná-lo um texto coletivo. Por isso gostaria que quem lesse continuasse esse desabafo. Fique a vontade para me mandar a opinião por e-mail ou através do comentário.

“Realmente fico me perguntando se tem homem nessa cidade que goste de mulher preta. Pergunto-me e só vejo que a pergunta faz sentido quando estou do lado das irmãs de cor. Quando dialogo sobre o assunto com as amigas brancas, em geral, a coisa fica no tom do "isso é coisa de sua cabeça". Mas não é não. E também nem tudo é da área do "quando você se sente bonita as pessoas te notam". Não é só isso...”.

(

Mônica Santana).


Relendo esse desabafo da Mônica fiquei pensando em quantas de nós, irmãs pretas, tivemos essa sensação de “Não Lugar” durante a nossa vida? Quantas de nós lutamos diariamente contra as feridas provocadas pelas manifestações do racismo em nossa auto-estima? Quantas de nós já choramos diante do espelho nos sentindo feias, desejando ter nascido como as princesas dos contos de fadas? Quantas de nós já se perguntaram qual é o nosso lugar nessa sociedade? Como somos vistas, entendidas, compreendidas e amadas pelos homens dessa sociedade?

Faço meus o desabafo da Mônica: “Será que tem homem nessa sociedade que goste realmente de mulher preta?” Sei que muitos que lerem esse texto acharão que o que eu escrevo é exagero. Mas quando questiono se existe homem que realmente goste de mulher preta nessa sociedade me refiro ao gostar de forma simples e pura. Um gostar que não nos faça sentir mercadoria barata ou um pedaço de carne. Um gostar que não seja baseado na reprodução das visões estereotipadas

que há século nos rotula como objetos sexuais , ótimas amantes, submissas a todos os tipos de violência e exploração. ...Associando-nos a palavras do tipo: excitação, desejo, paixão, atração, promiscuidade, casualidade, diversão, descompromisso...

Quantas de nós, mulheres pretas, ao conhecer um cara, seja ele branco ou preto, não se perguntou se ele se aproximou apenas para uma transa rápida e nada mais? Quantas de nós já não se sujeitou a tentar manter um relacionamento que nos violenta emocionalmente por acreditarmos que jamais teremos coisa melhor? Quantas de nós já ouvimos frases do tipo:

“Gosto de você, mas não vou largar minha namorada ou minha esposa...”

“Gosto de você, mas ninguém pode ficar sabendo que estamos juntos...”

“Gosto de você, por que você é muito gostosa...”

“Gosto de você, mas não quero ter filhos com você, nem vou te assumir...”

“Gosto de você, mas nesse momento não quero relacionamento serio...”

“Gosto das mulheres pretas, porque elas são mais fogosas na cama...”

“Gosto das mulheres pretas, pois elas possuem essa cor do pecado... esse gingado...”

“Gosto das mulheres pretas, pois elas possuem uma beleza exótica que me atrai”

E dessa forma Muitos dizem que Gostam das mulheres pretas.... Essa é nossa realidade, independente se estamos entre homens brancos ou pretos, machistas ou politizados, do senso comum ou dos movimentos sociais... Percebemos, com tristeza, que apesar dos discursos lindos, nossa realidade continua estereotipada.

Como diz Gislene Aparecida dos Santos em seu livro: Mulher Negra, Homem Branco -Um estudo sobre o feminismo negro “Nem todas as mulheres pretas (gatas borralheiras dessa sociedade) poderão vira cinderelas... Algumas serão as Irmãs más que mesmo se mutilando (mudando suas características físicas e psicológicas em um ato desesperado de aceitação social), jamais serão escolhidas pelos príncipes encantados...Seja ele Branco ou Preto....


" Muito interessante o seu texto, eu penso muito sobre isso. Algumas pessoas não entendem pq eu não tenho um namorado/marido e eu respondo que eu não aceito certas submissões que a mulher é obrigada a passar e com a negra é pior... apesar que vejo muitas delas não vendo isso pra continuar num relacionamento." (Rosangela - blog- Negra Rosa, Rosa Negra

)



" Primeiramente, quero parabenizar a criadora deste blog....

Também

me sinto assim, sempre fui muito insegura em me relacionar, sempre me achei feia, alisei meu cabelo por 10 anos, até que conheci meu namorado, com uma atitude progressista, um homem negro aparentemente crítico...Que me ajudou a me assumir como negra, a transar e a soltar meu cabelo crespo... Até que descobri que eu era secundária, eu fraguei ele com sua namorada branca, que ele se recusou separar.... Sinto-me hoje, confusa, pois não sei com quem me relacionei. Sinto-me também usada, e insegura para confiar em alguém que goste de mim de fato. Ser mulher, negra e crítica é um ato cotidiano de coragem. Rompi meu relacionamento com ele e sinto que encontrar alguém que nos reconheça enquanto mulheres negras é uma raridade..."
(Dandara)


"Bem, se existe este deve estar muito escondido. Percebo que somente o homem estrangeiro gosta, mas ainda percebo interesse como mercadoria... Uma pena..."
(Luciana Couto)


"É incrível, Preta!
Passa tempo, entra ano, surgi novos conceitos e nada muda. Eu conheço Mônica, foi minha educadora, segundo ela quando escreveu o trecho que citou estava em momento dedicado e por isso foi bastante enfatiza em suas palavras, mas acredito que ainda assim todas nós continuamos pretas e "só". Hoje já penso um pouco diferente, acredito que nós criamos um ideal de homem preto, articulado e super negão, a questão é que não somos o perfil deles. Temos que ir além, sair desse ciclo "cult" de pretos estrela e ir buscar o preto comum, o da comunidade, o que não faz faculdade, mas encontrou sua forma de seguir uma carreira. Em fim, a busca não para.
Nova série Pretinhas do leite no blog: http:www.negradileite.blogspot.com
Confira!"
(Mia Lopes)


"Complexos reflexivos!
Ainda não sou fundamentalista, mas acredito que a sistemática histórica da questão mulher, seja branca ou negra - desde que pobre - segue um padrão lógico de acontecimentos. Tal padrão se caracteriza pela cultura dúbia, uma religião de gênero transformado a identidade da mulher numa especie de meio a meio, cinza, morna, algo como: te-la por necessidade biológica e não te-la por padrão quantitativo. Desculpe-me mas isso não é só com mulheres regras, é com mulheres (altas, baixas, gordas, magrelas, cabelo liso, cabelo crespo lindo, mulheres no geral). Mas saliento que se vale a sentença do amor a si mesmo para depois o amor do próximo sobre si, então a discrepância está do outro lado do argumento feminista."
(Raskol)


"Profundo e complexo esse desabafo.
Creio que as questões postas apliquem-se a mulher em geral, e de forma mais acentuada, à mulher negra. Culturalmente, a sociedade não valoriza a mulher, menos ainda a mulher negra, e se ela for pobre e não esclarecida, seu valor poderá ser reduzido a zero, justamente com sua estima. Quanto a certos homens, as vezes penso que eles não gostam de mulher, independentemente de qualquer coisa, eles gostam mesmo é da mãe deles e de boneca inflável, porque elas sim, fazem todas as suas vontades. Fico por aqui, mas, sigo refletindo, e caso não se importe, volto numa próxima oportunidade.
Beijos e uma ótima semana. "
(Silvana)


" Estou passando por esse momento agora... acabei de entrar na fase adulta e como criança nunca havia parado para pensar nisso... Mas hoje adulta estou muito triste a cada dia as pessoas não querem amizade com negros, e os homens só querem as negras para levar para cama e nada mais. Nos tratam diferente das brancas... As brancas são tratadas com delicadeza e as negras de forma bruta e animal, como se não tivéssemos sentimentos. Para os homens andar de mãos dadas com uma branca é como se estivessem com um troféu, principalmente homens negros. Estava namorando um rapaz e sempre percebi que ele lutava contra o amor que setia por mim por causa da minha cor. Ele também é negro e nunca havia ficado com uma negra, só com as brancas. Hoje ele namora com uma mulher loira e passa de mãos dadas com ela, na maior felicidade, como se ela fosse algo inatingível. Todos dizem que sou linda e a que ele esta é feia... só que branca... mas até hoje ele me procura apenas para me levar para cama. Até pouco tempo atras cedia, mas hoje não fico mais. Não vou ser usada. Sei o meu valor. Estou cada dia mais triste por ver que todos os meus valores e qualidades são bloqueados pela minha cor, principalmente pelo homem que eu tanto amava. Espero superar um dia. É nítido que os homens tratam as negras diferentes das brancas."
(Anônimo)



" Costumo dizer que as vezes o preconceito é do próprio negro! Porque racismo sempre existiu e sempre vai existir, seja por parte de pessoas brancas ou não. Mas a verdade é que tem negro (não todos) que são preconceituosos com sua própria raça, eles mesmos são racistas. Tem negro que só namora branca e se tiver alguma coisa com uma negra não admite que tem. Sou negra e já me perguntei muito sobre isso, achando que era "coisa da minha cabeça" mas não é!!! Eu sou do Rio de Janeiro e o mesmo acontece por aqui, o que mais tem são negros com brancas, principalmente loiras. Muitas vezes o racismo parte do próprio negro. Quando saio com minhas colegas (que são brancas) a maioria chegam nelas, seja branco ou negro, puxam assunto, paqueram e tal...Eu me visto bem, costumo sair toda arrumada e elegante, mas ninguém chega para puxar assunto comigo, paquerar então muito menos. No máximo cumprimentam com um "oi tudo bem". E isso não é de agora. Tenho um primo que é negro e ele nunca namorou mulher negra. Ele só sai com mulher branca. A família do meu pai e toda negra e seus maridos/esposas todos são brancos. Minha avó é negra e me disse uma vez para namorar com branco e não com negro. Como sou tranquila levei na esportiva, mas entendi o que ela quis dizer. Eu mesma me considero negra. As pessoas dizem que sou morena ou parda, por ter a pele clara. Para mim não tem disso...É tudo da raça negra. Nada de morena clara, parta ou mulata... Sou negra mesmo e com orgulho! Resumindo: o preconceito racial vai sempre existir! Mas é ainda pior quando surge do próprio negro. Porque do branco já é esperado mas do negro ninguém espera isso. Enfim, como sou tranquila e humorada, procuro não ligar muito para essas coisas, até porque gosto é gosto, cada um tem o seu. Ninguém é obrigada a gostar de negros, assim como de brancos. Mas respeito é essencial!! Já falei para minha mãe que vou namorar branco porque os negros só querem saber de brancas. Que vou fazer, ficar triste e chorar?! de jeito nenhum. A gente tem que se valorizar, se eles não querem, azar o deles. "
(Janaína Nature)


" Sou branco, casado com uma linda mulher negra, tenho filhos negros e brancos e sou extremamente feliz. Essas discussões de negra, branco, raça, preconceito, cotas... acho uma grade babaquice. Quando as pessoas aprenderem a se respeitar independente de classe social, cor, etc... tudo isso acaba e deixa de ter importância. Vamos nos curtir como seres humanos que somos e dar valor com que realmente interessa. O amor. Beijos a todos".
(Petróleo e Gás)


"O que vc diz é totalmente certo. Já me senti desta maneira muitas vezes, como um peixe fora d'água. namorei vários brancos durante minha adolescência pq nehum negro olhava pra mim. e esses brancos, nunca me levavam a sério, não me assumiam perante amigos e familiares. somente depois de muito tempo, qdo comecei a frenquentar "lugares só de negros" é q comecei notar uma diferença. eu chamava a atenção de negros e comecei a namorar negros. eu ouvia muitos discursos q diziam "q mulher de verdade é mulher preta", "só gosto de mulher preta", mas a conotação é sempre sexual. mas, essa é uma questão difícil. pq não só envolve o racismo, como tb o machismo q qualquer mulher enfrenta. as dúvidas são muitas. mas, uma coisa é certa: o racismo é um fator q dificulta muito a mulher negra de se realizar afetivamente".
Bjs
(Belezas de Kianda)


"É difícil, sei como é, trabalhei durante 15 anos como professor de jovens carentes da comunidade, jovens infratores e presas da penitenciária do Butantã,e até eles que vem de uma comunidade humilde não gostavam de assumir suas origens, mas também não só eles, tenho vários amigos que dizem que sou racista, mas é porque eles não conhecem a história e só pensam no seu bolso, faço um trabalho de conscientização diário, sempre mostrando para eles o que o mundo é, de verdade, preconceituoso e cruel. ò eu adora negas..."
(Vair Trindade)


" problema não está na cor da pele!... Note bem Menina Linda e Jovem!... Cria-se preconceitos em tudo!... Na verdade, quem vive em um país onde o ser humano é reconhecido pelo que tem, adeus preconceitos!... Rico não casa com Pobre!... Jovens com 21, 23, 27 anos, não se unem com homens com mais de 50 anos... Entretanto, Moça Linda!... No triste mercado do sexo, as MULHERES DE TODAS AS CORES E BELEZAS têm um preço para entregar-se ao prazer de um homem de QUALQUER COR DE PELE!... Conquiste o seu espaço, torne-se DOUTORA!... ENRIQUEÇA e verá você, Moça Linda!... Que, quem fala alto em nome do AMOR é o DINHEIRO!..."
(Raimundo José Evangelista da Silva)


"Axebaba, Sou Ativista e Linha de Frente de Etnia Negra, Lider e para isso tive que estudar muito, nas instituições de ensino que passei fui sempre uns dos primeiros. Leio muito, prefiro mais os(as) escritores(as) parecidos(as) comigo (Pretos(as)).Adorei o Blog,"PARABÉNS" Li tudo e todos os comentários. Ninguém colocou a importância de estudar se formar ou ter alguma profissão. "Estudo é Escudo" e a nossa "Mente" é a melhor arma. Eu sim casei com uma Mulher Negra mestiça(pele clara), me separei e casei com outra Negra de pele mais escura que a primeira. Todas com formação acadêmica e sem consciência negra. Sou de pai e mãe negros(não tinha consciência negra). Minha Consciência Negra foi com muito estudo e eventos. Sei que as Mulheres Negra sofrem muito mais que os Homens Negros, por isso elas têem que raciocinar e estudar muito mais também, contra esses preconceitos. Aqui em Tatuí São Paulo com 30% de Etnia Negra e não conheço nenhuma mulher negra como exemplo forte de luta e Consciência, elas reclamam de homens negros, e valorizam mais homens brancos, nas academias e clubes que dou aula, não vejo mulheres negras se cuidando somente as brancas. Agora onde tem pagode, festas com bebidas sim existem muitas mulheres negras. Gente estudo é escudo, leia Malcolm X, Negras Raízes,O Segredo, Prosperidade. Axebaba Professor e Pedagogo MESQUITA".
("Saúde Pura" * Prof. Mesquita)


"Parabéns pra vc que é branco e foi capaz de assumir seu amor por uma mulher negra, e constituir família com ela! Mas de fato, nessa sociedade, assumir a negritude já é uma luta e quando se trata de mulher e preta...a luta é muito maior! Posso falar com propriedade, afinal sou mulher, preta e nordestina! Pode ser babaquice mesmo, pra você que não sente na pele ainda...mas talvez os seus filhos passem e aí vc entenderá! É por isso que hoje discutimos para que os nossos tenham um futuro diferente!
Mas voltando ao tema abordado, percebia isso desde o ensino primário, em que como toda menina me apaixonava, e notava que somente as garotas de pele clara e cabelos lisos conquistavam espaço! Inclusive em concursos de Rainha...ou MIss! Nem pra Rainha do milho as negras eram escolhidas (e olhe que éramos minoria, num colégio de classe alta de Salvador).Ou seja, os homens criam isso desde a infância, talvez pelos contos de fadas que lhes sao apresentados. E já na fase adulta, passei por uma situação, em que eu e uma amiga tínhamos um relacionamento com jovens negros de classe alta. As frases eram: "O seu estilo é massa! Eu gosto tanto de vc! É tão bom estar com vc!"- Conheceram o que era samba de verdade, som de tambor! Mas incrivelmente quando os relacionamentos ganharam mais força (já estávamos juntos há 1 ano), eles resolveram 'dar um tempo', pq não estavam prontos p encarar uma relação! E o mais engraçado, logo depois começaram relacionamentos com meninas brancas, de cabelos lisos. Nos sentimos usadas, e por um tempo nos questionamos se éramos feias por ter cabelos blacks, irmos à sambas e sembas! Mas não, percebemos ao longo que não somos únicas, temos muitas outras irmãs de cor que passam por isso. Então negona...ser mulher e preta numa sociedade machista e preconceituosa, não é brinquedo não!" Sorte, força e coragem pra vcs!

(F.N)

"Fui tentada a comentar... Salve Pretinhas e Pretinhos!!!
Conversa muito complexa, mas que faz parte do cotidiano das mulheres pretas.
Será que nós mulheres pretas somos feias? Será que homens pretos são cegos? Será que os brancos são realmente melhores? Será que o amor interracial existe mesmo? Será que vou morrer sozinha/solteira? Será que tenho que enfraquecer meus cabelos? Será que tenho que me sujeitar aos costumes e tendências dessa sociedade? PARA TODAS ESSAS PERGUNTAS MINHA RESPOSTA É: NÃO! NUNCA! NÃO ACEITO E NUNCA VOU ACEITAR!!!
Sou uma princesa preta e tenho muito orgulho, muito orgulho de ser preta, apesar de ser um pouco menos melaninada que muitas princesas e rainhas pretas. Mas nunca me sujeitei as tendências da sociedade branca. Sempre NAMOREI homens pretos! E sempre vou está ao lado de um homem preto! Já passei muito tempo sem alguém, mas não me relacionei com homens brancos por falta dos homens pretos. Realmente muitos homens pretos têm preferência por mulheres brancas, isto é fato! Mas eles as preferem pq acham suas mães, avós, tias e irmãs feias. Possuem vergonha delas, por isso não tem coragem de assumir uma pretinha. Pq aquele homem preto que nunca namorou uma mulher preta, nunca deve ter olhado verdadeiramente para o rosto das mulheres de sua casa. Dessa maneira nunca desejará uma mulher preta ser um Baobá!
Lógico que preferências e gostos existem, alguns gostam de rosa outros de azul, particularmente eu gosto de PRETO em todos os sentidos! Não vejo o homem branco ou a mulher branca melhor em nada, nem mais atraente com sua palidez. Não entendo como as pessoas pretas podem sentir atração por aqueles descendentes de senhores de escravos, assassinos, estrupadores e por ai vai... Aqueles que sequestraram os pais de meus bisavos. Pretinhas, proponho que observem as mulheres brancas nos locais que frequentam e as mulheres pretas que assumem sua pretitude. As mulheres brancas são diferentes? As mulheres pretas são iguais? Amor e valorização são construções. E além de tudo respeito aos ancestrais e aos descendentes! Agradeço a YAH por ter nascido em uma família de militantes pretos que me ensinaram o que é ser preta e como agir/viver como preta! Se o príncipe/rei preto ainda não chegou... Não se misture! Espere, observe onde vc anda, com quem vc anda e desperte a consciência das pretinhas e pretinhos que andam c vcs! O príncipe pode está bem pertinho! Pretinhas... vcs são lindas, SÃO RAINHAS E PRINCESAS! São PRETINHOSIDADES! Não se deprimam quando encontrarem homens pretos com mulheres brancas saibam que ali existe um jogo de interesse para o HOMEM PRETO o STATUS e para MULHERES BRANCAS o OBJETO SEXUAL. Amor puro e verdadeiro só existe com os seus semelhantes!"

(A.F.)

"Essa questão é recorrente e sempre dá pano para manga..., vou bater no mesmos pontos que sempre bato :
1- Antes de sermos negros ou brancos, negras ou brancas... somos homens ou mulheres..., por tal motivo estamos sujeitos á atração física e emocional por e com qualquer pessoa da espécie humana, não existe "obrigação real" de se relacionar apenas dentro mesmo grupo, a endogamia (relacionamento exclusivo dentro do mesmo grupo-étnico-racial) é artificial e sócio-culturalmente construida (tanto para brancos como para negros).
2- O contexto histórico colocou a mulher negra na mais desprivilegiada das posições da hierarquização social, isso é um fato, mas pode ser mudado..., primeiro atacando o problema comum a todos (o racial) depois o de gênero), não adianta querer inverter essa ordem ou apenas trabalhar na questão da mulher negra, enquanto TODAS PESSOAS negras não forem respeitadas e igualitárias, as mulheres negras permanecerão na mesma...,é preciso "desarmar" a prática de ataque sistemático de mulheres negras contra o homem negro prioritariamente (até porque não foram os homens negros que por quase 5 séculos tem criado e mantido essa situação de exploração, desvalorização e violências contra a mulher negra...) .
3- É sabido (dados do IBGE)que 80% dos brancos casam com brancas, os outros quase 20% com "pardas clarinhas", está na hora das mulheres negras (principalmente as pretas)que ainda pensam em "príncipe encantado" entender que eles praticamente não existem e que estatísticamente não serão brancos..., homens gostam de mulheres, se as negras (principalmente as mais bonitas e/ou bem colocadas) pararem de "idealizar" e abrirem espaço, perceberão que homens negros bem interessantes poderão aparecer; se hoje os negros nem "chegam junto" é porque a maioria "sabe" que as chances de ser "esnobado" por uma negra e "receber condição" de uma branca é de quase 100% .
4- A endogamia é um direito, se puder ocorrer naturalmente é ótimo (e ocorre, senão nós pretos não estaríamos aqui, nossos pais e mães fizeram , não ?), mas à medida que avançamos socialmente e saìmos dos "guetos" essa condição vai reduzindo, ou flexibilizamos ou teremos grandes dores psicológicas ou solidão como demonstrado no texto respondido.
Amar ou ser amado(a) por não-negros não nos retira a condição de negros, muito menos a dos nossos filhos...(ok talvez a de pretos, mas não a de negros...), vamos buscar a felicidade pessoal mas sem esquecer de combater o racismo e desigualdade coletiva que é o que interessa."

(Juarez Silva - Manaus)

"Sou preta e no meu relacionamento de 3 anos jamais me senti como objeto. Acho que sou uma felizarda. Espero que vocês, mulheres que se sentem prejudicadas, encontrem um homem que as ame não pela cor, mas pelo seu caráter! O que não cabe mais é o discurso de vítimas em tudo! Não devemos pensar que os negros que namoram brancas ou vice-versa, estão renegando suas origens ou deixando de lutar pela igualdade! O que me parece, aliás, é que a maioria não quer igualdade, mas sim, superioridade, pelo gostinho de 'dar o troco.Beijos!"

(Anônimo)

"Eu ao meu modo nnão acho certo reproduzir o conto de que negros não gostam de negros e sim que onde ha diferença pode haver discordância. Acredito que a empatia precede o precede o preconceito assim o não gosta do outro se resumi verdadeiramente ha alguns traços que pelo primeiro contato. Quem já carrega consigo um padrão de beleza e coloca cor, altura, classe social, ou qualquer outro modo de diferenciação não carrega o bom censo e sim um pensamento feio e arcaico. Por outro lado dizer que o homem negro não trata suas negras com rainha é porque desconhece relacionamentos entre negros que deram certo e olha que não são poucos. Acredito que o homem seja ele ou branco de forma machista ou de auto-proteção prefere as mulheres mais frágeis no sentido de serem mais submissas e dóceis, e nesse quesito a mulher negra é muito mais firme que as brancas ou pelo menos demonstra mais que não cedem e tem mais pulso no relacionamento. Assim covardemente o "homem" seja ele branco ou negro prefere a mulher "mais frágil".

(Anônimo)


"Discutir negro, branco, raça, preconceito e cota é babaquice? Putz, depois de um relato/desabafo postado pela preta, babaquice mesmo é não discutir e usar o termo "Amor" como neutralizante, não ajuda em nada. Só atrapalha!!"

(Fabio Emecê)


"Sou mulher, negra, inteligente e crítica.Sou casada com um homem branco que me valoriza como mulher, mãe, esposa e amante.Ele sempre diz que nunca parou para pensar se estava casado com uma negra ou branca, mas com a mulher pela qual se apaixonou.Percebo o olhar de desaprovação das pessoas, principalmente homens e mulheres negros,que me olham com uma certa estranheza. Devem pensar:" o que ela tem de especial? por que ele está com ela? Tem coisa aí." MAs não me intimido e os encaro com altivez. É lamantável, mas o homem negro consegue ser mais cruel com a mulher negra que o branco. Será que esquecem que suas irmãs passam pelo mesmo sofrimento? Não acredito em contos de fadas,acredito sim, no encontro entre duas pessoas que decidiram se amar independente da cor da pele. Passei e passo por muitas situações de preconceito mas vou lutando contra o olhar castrador dos que dizem sem palavras: o que está fazendo aqui? Este não é o teu lugar.E respondo com um olhar libertador e desafiador: Este é o meu lugar sim, eu o conquistei,se te incomodo saia você. Se alguns homens , brancos ou negros, não nos querem, azar deles. Devemos nos importar sim, com homens que nos valorizam como mulher, como negra e principalmente como ser humano."

(Luisa Ribeiro)


"Concordo com o comentário acima! Respeito acima de tudo. Sou negra e meu namorado é branco, me ama e me respeita acima de tudo. Acredito que toda essa questão de "homem que goste de mulher negra" inicia pelas próprias mulheres. Nunca me senti diferente ou menor que nenhuma outra, independente de cor. Concordo que vivemos em uma sociedade preconceituosa, que desfavorece a minoria. Contudo se o sentimento de menor valia inicia com você mesmo, somente é prejudicial a você. Se você (quando digo você é no geral) que é uma mulher negra sente-se desvalorizada, usada e coisas do tipo, somente pela cor de sua pele, é uma pena, pq para mim a cor da minha pele e minha origem é o que me valoriza! O sentimento de não aceitação, de não ter espaço é somente seu. Conheço mulheres lindas, brancas, com alto poder aquisitivo e que encontram-se nesta situação, de não se sentirem valorizadas, de serem a outra, ou seja, isso não é uma condição da MULHER NEGRA, é uma condição social FEMININA. A questão é não se sujeitar a isso"

(Anônimo)


"Parabéns pelo seu texto, em sabias palavras você disse o que muitas mulheres negras, inclusive eu pensa , mas posso ressaltar que homens estrangeiros dão mais valor a mulher negra , do que homens brasileiros".

(Tatiana)


"Para Janaine Natura!
li seu comentário e muito me fez pensar. Existe mulheres machistas? Se vivemos em um mundo machista porque as mulheres seriam imunes a isso? Só que as mulheres que são machistas, na verdade são vítimas da opressão que pesa sobre elas, não o são porque realmente acreditam isso e sim porque foram criadas "recebendo" tal tipo de informação que coloca as mulheres nesse local de submissão e de menos valor comparado ao homem. A questão racial também não é diferente, nós negras(os) somos criados em uma sociedade que diariamente nos indica um lugar e que esse lugar representa as margens, o submundo, a violência, a feiura, enfim, crescemos ouvindo que nosso cabelo é ruim!! Quer maior violência do que esta a uma menina que ao mesmo tempo que cresce tem sua auto-estima reduzida a nada. Essa foram de violência subjetiva e objetiva a que a população negra no mundo foi submetida resultou numa série de problemas que hoje buscamos corrigir, e essa correção só é possível porque resistimos secularmente a este lugar desfavorecido o qual tentam nos colocar. Enquanto a cor da pele for uma maneira de qualificar caráter e demais características subjetivas não é "babaquice" discutirmos a questão racial. Não é porque "sou branco(a) casado com negro(a)" que estou isolado do mundo racista que me cerca, caso não discuta isso com meus filhos mestiços, o pensamento racista ainda prevalecerá, porque só posso combater o que enfrento e desvelo, como discutir e desnaturalizar as relações raciais. Os altos índices de pobreza que incidem sobre a população negra não devem ser explicados simplesmente como desigualdade econômica, é preciso desvelar os mecanismos de exclusão "invisíveis" que incide sobre esta população e que ainda é pertinente que falamos em racismo, se ele ainda persiste, faz sentido falarmos em raça sob a perspectiva de uma realidade social, nada comparado aquela ideia de raça do século XIX, e sim como resultado dela."

(Kelly Moraes)


"Bem incialmente quando nós, homens, vemos uma mulher somos atraídos pelos dotes físicos, seja ela negra ou não, bonita ou não, tudo é uma questão de gosto, se está enquadrado no perfil que me atrai ótimo eu vou tentar algo. É claro existem os acéfalos que são conduzidos pelo que a mídia impõe ou tem uma baixa auto-estima e acham que vão ser bem vistos pela sociedade ao lado de uma pessoa que se enquadra em um estereótipo ( todos sabem de quem eu falo ). A imagem vendida não só aqui no Brasil, como principalmente no exterior sobre a mulher negra é que ela é submissa, onde ela é só corpo, onde ela é mulher apenas da porta de casa pra dentro e não para a sociedade, infelizmente desde os primórdios é demonstrado isso. Mas já pararam para pensar no conteúdo, muitos homens veêm isso para iniciar um relacionamento, todos sabem que aquele corpo lindo e formoso não durará para sempre e então ficará o conteúdo, o conhecimento e apenas isso que restará. Quandos vocês falam que homem negro bem sucedido procura mulher branca, estão generalizando e associando todos nós com jogadores de futebol, pagodeiros e artistas. Para um relacionamento tem q ter mais que aparência, deve haver conteúdo; dificilmente um relacionmento voltado para aparência persiste, quand vc tem a beleza e mais o conteúdo e a pessoa do outro lado tem sagacidade pra perceber isso ela agarra com unhas e dentes, não deixa escapar."

(BOMBATTA)


"Sinceramente, ao ler essa discussão fico com a impressão que aí ter vários temas misturados e que são muito complexos para serem tratados como sendo uma só coisa.
Nos relatos colocados aqui, várias pessoas colocaram o relacionamento entre negros (homens) e brancos (mulheres) como algo bastante comum e conhecido nas suas experiências próximas. O relacionamento, então, dos homens (branco ou negro) com as mulheres (brancas ou negras) é que está em questão. Quantas de nós, mulheres pretas, ao conhecer um cara, seja ele branco ou preto, não se perguntou se ele se aproximou apenas para uma transa rápida e nada mais?. Não tenho dúvida de que isso é um tema comum à mulher na sociedade. Essa é uma questão de gênero, não de raça. Não sou negra, mas sou mulher e também sinto "na pele" os efeitos de ser mulher numa sociedade regida por valores e morais que têm como base o masculino sobre o feminino. Até gramaticalmente temos que nos adaptar a uma realidade onde, se há um único homem entre mulheres, deixamos de ser "as" e ficamos implícitas em "os"...

(Anônimo)


"Muito bom seu texto. Eu percebo isso na escola, como minhas alunas negras são tratadas e preteridas pelos garotos, negros ou brancos. Enquanto mulher também tive meus problemas, mas percebo que só quem carrega na pele é que pode dizer, minha mãe, pele preta, poderia dizer bem mais do que eu. Um grande abraço e vamos na luta contra o machismo"

(Profª Janaína Mont)


"Nossa, muita treta né...
Pensamo isso um pouquinho aqui: NOSSO JORNAL 2ª edição, Suplemento "Mulheres Negras"
=> http://verd.in/b1vn"

(Nátalia Maria Alves Machado)



" Sou mulher negra, e confesso que não acredito em Amor de homem negro. Eles só querem explorar fisicamente e financeiramente a mulher negra. Eu gostaria até de fazer um " estudo social" dessa situação para entender porque eles são tão mentirosos e sem caráter no relacionamento com a mulher negra. Quando arrumam uma branca eles mudam totalmente. Cansei. Homem negro nunca mais!"

(Anônimo)


"Muito oportuno este texto, parabéns! Sempre preferi as negras, mas nunca antes havia feito distinção. Reconheço que estava cego e por isso por vezes magoei e fui magoado... Enfim é a vida! Hoje vejo realmente a força que a mulher negra tem e realmente não são todos os homens negros que tem cassífe e disposição para assumir um relacionamento com mulheres negras. As brancas são brancas e a visão ensinada aos homens negros, na sua maioria, é a ascensão... Não adianta que eles não enxergam dessa maneira e acham que é coisa da cabeça de quem tá atento ás entrelinhas do relacionamento inter racial... A vida ao lado de uma de uma mulher negra é realmente algo fascinante, por tudo que se aprende, e como afrodescendente, estou mais seguro e afrocentrado. E não valeria de nada esta mentalidade se todos os pontos da minha existência não contribuísse para esta postura, que muitos podem até chamar de fundamentalista... Vejo no movimento negro alguncos hipócritas que pregam uma coisa e fazem outra, alegando que a culpa é de vocês... Os enxergo como fracos e covardes, pois se são o que dizem serem, devem agir como tal... Um negro para ser negro deve se questionar por quais caminhos vai trilhar sua vida... Não esquecendo de Deus, e daquela que vai estar ao seu lado para juntos conquistarem seus sonhos e objetivos na manutenção da família preta, estruturada e feliz. Estou com uma mulher preta, de força descomunal, e não consigo enxergar um futuro sem uma família preta até a raiz... Sou negro, apaixonado por minha afrodescendência e por minha família preta... Amo uma mulher não pelo que ela representa a cabeça dos cegos e curtos, mas sim pelo que ela é, por sua alma, por sua força, etc... "
(Anônimo)


" Texto perfeito e oportuno para esse momento... Meu ex companheiro negro dizia: Você tem um axé diferente das outras e mais "gostosa" ... Imagina!!! Eu como esposa dele já não passava de um subproduto... Não queria de jeito nenhum que eu passasse creme ou qualquer agressão química nos cabelos, mas não podia ver uma branquinha do cabelo escovado... Cheio de fundamento negro forjado, adorava ir aos prostíbulos atras de uma aventura com loiras, ficava vendo filmes pornôs que tivesse o mesmo trejeitos, criticava às negras que espichavam os fios e não podia ver um cabelo liso até que não aguentei as torturas e disse que ele não passava de um oportunista e a carapuça coube, sendo então o tesão morreu ali... Acabou-se. Penso comigo quem realmente era essa figura com que me relacionei, com um discurso bem elaborado, que era um diferencial afiado na humanidade... Mas não passava de um slogan"
( Dara Amada)
"....Pois é...sabe qual o sentimento quando leio esses relatos? Pura certeza das minhas suspeitas, a do porque quando tinha namorado a diversão era sempre em casa,com a sogra ajudando na cozinha, ele achava lindo e eu também.. e quando desisto de viver nesse mundo cheio de fronteiras, as relações não são levadas a serio,o porque sou solteira a quatro anos, mesmo sendo, segundo eles 'a PRETA mais linda de sua vida'.. Tão linda, inteligente, simpática... enfim, mas não o suficiente para ser sua esposa, mãe dos seus filhos, apresentar aos amigos, logo porque não irá dar o status merecido, por ser Negra e comportar -se como tal, não ter cabelos escovados e longos,roupas completamente de patricinhas... Sendo assim, vem logo o arrependimento, os questionamento por não ter permanecido no relacionamento que mesmo com todos as circunstancia era um relacionamento serio, de família, ao menos parecia .. Hoje 31 de dezembro, meu aniversario, escrevo essas palavras com lagrimas nos olhos, pois todos meus colegas tem uma programação, contudo com seus futuros esposos, esposas .. enfim, sempre tem alguém, nunca então sozinhos ,porque são universitários, cabelos lisos pintados de loiro, corpo malhado para o verão..e eu Universitária,NEGRA de Black,em casa, solteira, na net. O que será que estar acontecendo realmente com os homens Negros? só desejam mulheres brancas? as Negras só servem para ser amigas ? Não sei, o que realmente sei que os homens nunca estão prontos para um relacionamento serio comigo...segundos depois encontra-se no Facebook em um relacionamento serio com uma loira, cabelos lisos (cheio de guanidina, tinta e muiita escova) longos e com a pele clara..mas quando vejo que minhas amigas Negras de Black, roupas longas, gordinhas e que estão todas solteiras , minha felicidade é em perceber que o problema não sou eu em si, e sim o fato da nossa estética...Em 2012 espero que nossos traços fenótipos não atrapalhe a felicidade.. que nesse mundo racista , as diferenças não sejam fator de exclusão !! Axé a todas irmãs de COR !! "
(Aline Nascimento)
"Para as negras que vivem reclamando que homen negro é isso ou aquilo. Por que voces não procuram uma formação profissional. As que moram em SP, vão para USP, para as Bahianas, vão para a Federal de seu estado. Tenho 36 anos, moro no RJ, sou Engenheiro de Software. Aos 19 anos catava papelão, lavava banheiro e no fim do mês, pagava R$460,00 de mensalidade na PUC-RJ. Com 24 anos ja ganhava cerca de R$5.200/ mês. Conheço um monte de paises, falo Ingles, aplico na Bovespa todos os dia e SOU NEGRO QUE NUNCA tive oportundiade de namorar negra alguma, muito menos mulher brasileira. Viajo todo ano par Europa e ao chegar la, nem preciso cantar ninguem, minha educação é a chave para conquistar as mulheres européias. Aki no Brasil sempre tomo um não pelo meio da cara das negras. E ainda tem alguams que sussuram..."essas porras nem tem estudo"..seria justo eu dizer que todas as negras seguem essa linha imbecil de raciocinio? Ao menos no RJ tem sido assim. E pior, elas, negras estão agora alizando seus cabelos e só dando preferencia a homem de pele clara...não entendo as mulheres negras...quando feias, se sentem no direito de exigir que os homens negros se casem com elas, mas, quando são lindas, só dão chance a homem branco...alguem aqui poderia me explicar isso?
Perfil no Facebook : Denilson Marcos (uso uma jaqueta vermelha)
Pois é DARA AMADA,Não entendo como voces mulheres são facilmente enganada por esses caras...com todo respeito, mas me parece que quanto mais canalha, mas voces gostam. Fico impressionado como na Igreja de São Banedito, em Pilares, suburbio do Rio de Janeiro,existem inumeros bons moços que querem compromisso,mas nenhuma mulhere os encerga, mas já os vicidados, os maus elementos, os mentirosos, esses sim trocam de mulher como nos trocamos de
roupa...alguem pode explicar isso?"
(Denilson Marcos)










domingo, 10 de julho de 2011

BALANÇANDO SOB A LUZ DO SOL: STRESS E MULHER NEGRA

Balançando sob a luz do sol, a melancolia há de esmorecer. Balançando sob a luz do sol, as lagrimas hão de secar. Quando as mulheres negras foram trazidas à força para o litoral americano, sendo escravizadas e mais maltratada do que gado, elas trincaram os dentes e, decididas a sobreviver em seu destino, deram a luz ao blues, a melancolia. Desde então, todas as mulheres afro-americanas têm procurado uma cadeira de balanço e a luz do sol para espantarem suas tristezas...

Você já se perguntou alguma vez por que tantas mulheres negras parecem sentir raiva? Ou por que caminhamos como se carregássemos tijolos nas nossas bolsas e fossemos golpear e maldizer uma amiga simplesmente por ter derrubado um chapéu? Isso acontece por que o stress é a bainha das nossas roupas, esta grudado aos nossos cabelos, impregnado em nosso perfume e pintado em nossas unhas. O stress vem de sonhos adiados, de sonhos reprimidos; vem de promessas não cumpridas, de falsas promessas; vem de sempre estarmos por baixo, de nunca sermos consideradas bonitas, de não nos valorizarem, de tirarem vantagem de nós; vem de sermos mulheres negras na America Branca. Por quanto tempo você acha que pode prender a respiração sem ser asfixiada? Sim, as mulheres negras se suicidam!

Nós nos matamos quando paramos de sorrir; quando tomamos drogas para abafar a dor de ser negra; quando, no desespero de ter “alguém”, permitimos que nosso companheiro ou companheira nos violente física e mentalmente; quando permitimos que privilégios de classe, renda, cor, aparência ou preferência sexual nos dividam; quando mês após mês choramos sozinhas sem ter com quem desabafar. Estamos estressadas. O stress conduz de tal forma as mulheres negras à loucura que nos tornamos especialistas em camuflar nossas angustias.

Nós que inventamos o blues e cantamos canções que nos aqueciam como toalhas quentes, precisamos encontrar cadeiras de balanço; e precisamos encontrá-las já! Deixe que aquela cadeira de balanço faça às vezes de um beijo de uma amiga, um abraço, um aperto de mão, um jantar improvisado, um cafezinho, um ouvido atento, um caminhar lado a lado ou um conselho não solicitado... As mulheres negras se conhecem bem; devemos ajudar umas as outras e dar continuidade ao nosso balançado.

Opal Palmer ADISA

(Escritora e autora de vários livros de contos e poesia.

Nasceu na Jamaica e atualmente vive em Oakland, Califórnia).